A Coreia do Sul enfrenta o México nesta quinta-feira (18) pela Copa do Mundo 2026. Além da partida, um tema recorrente ronda a seleção: o serviço militar obrigatório. Para os atletas sul-coreanos, um resultado excepcional em competições internacionais pode reduzir o tempo de serviço. A razão está no fato de que, tecnicamente, a Coreia do Sul ainda está em guerra com seus vizinhos do Norte, já que nenhum acordo de paz foi assinado após o armistício de 1953.
Serviço militar obrigatório: regras gerais
Todos os homens aptos de até 28 anos devem servir ao exército por 18 a 21 meses. Essa exigência se aplica a cidadãos comuns, celebridades e atletas. No entanto, existe um programa de serviço suplementar desde 1973, criado para permitir que artistas e esportistas de alto nível contribuam de forma alternativa. Os atletas são incorporados à Força de Pessoal de Arte e Esportes por 34 meses. Eles são considerados parte do serviço suplementar e possuem algumas obrigações oficiais.
Obrigações dos atletas no serviço alternativo
Os atletas que ingressam no programa devem cumprir uma série de requisitos:
- Passar por um treinamento militar básico de quatro semanas.
- Realizar 544 horas de serviço comunitário voltado para sua área de atuação.
- Permanecer ativo na sua modalidade esportiva ou artística por 34 meses.
Se um atleta se aposenta ou é dispensado por sua equipe durante o período obrigatório, ele pode manter seus benefícios aceitando outro emprego, como treinador. Essa flexibilidade busca garantir que o atleta continue contribuindo para o esporte nacional.
Exceções para medalhistas e vencedores
O benefício não se estende oficialmente aos jogadores da Copa do Mundo de futebol. Isso não impede que o decreto oficial seja revisto em situações específicas. Uma única exceção foi feita pelo governo sul-coreano em 2002, quando a seleção de futebol chegou à semifinal da Copa do Mundo. Na ocasião, a Coreia do Sul sediava os jogos junto com o Japão e perdeu a semifinal para a Alemanha por 1 a 0. Mesmo assim, o governo concedeu isenção total aos jogadores. Fora isso, a principal forma de obter o benefício é conquistar medalhas em competições como os Jogos Asiáticos ou as Olimpíadas.
Exemplo concreto: Son Heung-min
Son Heung-min, atual capitão da seleção da Coreia do Sul na Copa do Mundo 2026, conquistou o benefício militar em setembro de 2018. Ele ajudou o país a conquistar o ouro nos Jogos Asiáticos de 2018. Como resultado, Son Heung-min concluiu seu treinamento básico com honrarias em maio de 2020. O atleta, que atua no Tottenham, é um dos exemplos mais conhecidos de como o desempenho esportivo pode reduzir o serviço militar.
Mudanças recentes na lei e casos de artistas
Uma revisão da Lei do Serviço Militar permitiu o adiamento do alistamento até os 30 anos, por recomendação do Ministério da Cultura, Esportes e Turismo. Essa alteração beneficiou não apenas atletas, mas também artistas. Atualmente, o BTS já retomou suas atividades, após os membros concluírem seus serviços militares. O grupo pop sul-coreano é um exemplo de como a lei afeta celebridades, que também precisam cumprir o serviço, mas podem adiar o alistamento mediante autorização.
Em resumo, vencer competições internacionais pode abrir exceções para escapar do serviço militar na Coreia do Sul, mas as regras são rigorosas e dependem de conquistas específicas. A Copa do Mundo de 2002 foi a única vez em que jogadores de futebol foram dispensados, enquanto medalhistas olímpicos e de Jogos Asiáticos têm caminhos mais claros. Para os atletas atuais, a esperança é que um bom desempenho em 2026 possa gerar novas discussões sobre o tema.

