Lucro da Magazine Luiza cai 55% no 4T25 com pressão da Selic
A Magazine Luiza (MGLU3) enfrentou um quarto trimestre de 2025 marcado pela pressão dos juros altos sobre seus resultados. A companhia divulgou nesta quinta-feira (12) um lucro líquido de R$ 131,6 milhões nos três últimos meses do ano, valor 55% menor na comparação com o mesmo período de 2024.
O principal fator por trás da contração foi o salto nas despesas financeiras, que reflete o cenário de taxa Selic elevada.
Impacto das despesas financeiras no resultado
O custo do endividamento pesou significativamente no balanço da varejista. As despesas financeiras da companhia aumentaram de R$ 390 milhões no quarto trimestre de 2024 para R$ 572,5 milhões no mesmo período de 2025.
Esse movimento representa um crescimento expressivo de 46,8% em um ano, pressionando diretamente o resultado final. A alta nos juros no período impactou empresas com dívidas indexadas à taxa básica da economia.
Lucro supera expectativas do mercado
Em contraste com a pressão financeira, o lucro reportado no trimestre superou as projeções dos analistas. As expectativas de mercado compiladas pela Bloomberg apontavam para um resultado líquido de R$ 80 milhões.
A Magazine Luiza entregou R$ 131,6 milhões. Essa performance acima do esperado, mesmo com a queda anual, pode indicar uma gestão operacional que conseguiu mitigar parte dos efeitos do custo financeiro mais alto.
Resultado operacional mostra resiliência
Apesar da pressão no lucro líquido, a geração operacional de caixa da empresa se manteve robusta. Nos três últimos meses de 2025, o caixa gerado pelas atividades operacionais foi de R$ 2,2 bilhões.
Ao longo de todo o ano de 2025, esse fluxo totalizou R$ 2,7 bilhões, demonstrando a capacidade do negócio de converter vendas em recursos.
Posição de caixa e Ebitda
A companhia encerrou o período com uma posição de caixa líquido ajustado de R$ 3,1 bilhões e caixa total de R$ 8 bilhões.
Outro indicador operacional positivo foi o Ebitda, que mede o resultado antes de juros, impostos, depreciação e amortização. No trimestre, esse indicador foi de R$ 947,8 milhões, um avanço de 8% em relação ao ano anterior, com margem de 8,5%.
Esse resultado também veio acima das projeções do mercado, que esperavam R$ 855 milhões e margem de 7,7%. Em base ajustada, o Ebitda do trimestre foi R$ 867,3 milhões, com margem de 7,8%.
Vendas com desempenho misto no trimestre
O desempenho das vendas apresentou um cenário de contrastes entre os canais de venda. No quarto trimestre de 2025, a Magazine Luiza registrou vendas totais de R$ 18,2 bilhões, uma redução de 1,1% em relação ao mesmo período de 2024.
Queda no e-commerce e marketplace
Desse total, R$ 12,1 bilhões vieram do e-commerce, número 5,3% menor na base anual. O marketplace, operado por terceiros (3P), somou R$ 4,5 bilhões, com queda mais acentuada de 11,7%.
Lojas físicas ajudam a segurar receita
Por outro lado, as lojas físicas ajudaram a segurar o desempenho geral frente à retração nas vendas online. A receita líquida do trimestre, que considera deduções como impostos e devoluções, foi de R$ 11,1 bilhões.
Esse número apresentou um crescimento de 3,4% versus os três últimos meses de 2024. Ele também ficou levemente acima das projeções de mercado, que eram de R$ 11 bilhões, indicando uma performance de receita mais sólida do que a de vendas brutas.
Perspectivas para um novo ciclo
Olhando para o ano completo de 2025, os números consolidados refletem um período desafiador. A companhia reportou lucro líquido de R$ 204,4 milhões no acumulado dos doze meses, cerca de 54% menor na comparação com 2024.
Resultados anuais e novo foco estratégico
Em base ajustada, o lucro líquido em 2025 foi de R$ 159 milhões, representando uma queda de 42,6%. A receita líquida anual subiu 1,7%, atingindo R$ 38,7 bilhões.
O Ebitda anual, por sua vez, saltou 10,6%, chegando a R$ 3,2 bilhões, com margem de 7,9% – um aumento de 0,1 ponto percentual frente a 2024.
Diante desse cenário, a empresa anunciou o início de um novo ciclo estratégico. O foco declarado é destravar o valor de ativos com o avanço da inteligência artificial no varejo, buscando eficiências e novas oportunidades de crescimento em um ambiente macroeconômico que segue desafiador.

