O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central se reúne nesta quarta-feira (18) para decidir o rumo da taxa básica de juros. O cenário é marcado pela alta do petróleo e pela guerra envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã.
A declaração do economista-chefe da Neo Investimentos, Luciano Sobral, joga luz sobre o dilema enfrentado pelos formuladores de política econômica. Ele defende que a Selic não deveria ser mantida em 15% ao ano, mesmo com o barril a US$ 100.
O dilema do Copom em março: cortar ou manter os juros?
O colegiado tem duas possibilidades principais para a reunião deste mês:
- Cortar a taxa Selic, movimento antecipado em janeiro
- Manter os juros no patamar atual de 15% ao ano
Essa decisão ocorre em um momento de volatilidade nas expectativas do mercado financeiro. As negociações de opções do Copom na B3 indicam que os agentes econômicos viraram sua aposta para um corte de 0,25 ponto percentual.
No entanto, a manutenção dos juros em 15% ao ano também apareceu nas probabilidades, ganhando mais força nos últimos dias. Essa oscilação contrasta com o cenário anterior, quando o corte de 0,50 ponto percentual na Selic era praticamente uma unanimidade entre os investidores.
A mudança de perspectiva reflete a incerteza que ronda a economia global e seus reflexos locais.
O impacto da guerra no petróleo e na inflação
Como o conflito afeta os preços
O conflito entre EUA, Israel e Irã, que começou em 28 de fevereiro, gera preocupação por vários motivos. O ponto central dessa apreensão para o Brasil é o impacto sobre a inflação, diretamente ligado à alta nos preços do barril.
De 28 de fevereiro a 17 de março, a cotação do Brent, referência internacional, saltou 44%. Antes do início das hostilidades, o barril de petróleo estava cotado a US$ 72, com tendência de queda.
Com o conflito, o preço atingiu o pico de US$ 119,50 e, posteriormente, se estabilizou próximo da marca de US$ 100. Essa disparada coloca pressão sobre os custos de produção e transporte no país, com efeitos em cadeia nos preços ao consumidor.
A relevância da análise especializada
Diante desse cenário, a análise de especialistas como Luciano Sobral ganha relevância. O economista-chefe atua na Neo Investimentos, gestora que administra R$ 6,5 bilhões.
A posição do governo federal sobre a alta do petróleo
O governo brasileiro já tomou medidas para tentar conter os efeitos da alta do petróleo. Na quinta-feira (12), o presidente Lula declarou que “a alta do petróleo não vai chegar ao bolso do brasileiro”.
Para cumprir essa promessa, a equipe econômica decidiu zerar a cobrança de impostos federais, como PIS e Cofins, sobre a importação e venda do diesel. A expectativa é que a medida reduza em R$ 0,64 o preço por litro do combustível.
No entanto, trata-se de uma solução temporária, que alivia o custo no curto prazo, mas não resolve as pressões inflacionárias de fundo. A eficácia de ações como essa é um dos elementos considerados pelo Copom em sua decisão.
As incertezas no cenário global e seus efeitos
Declarações contraditórias de líderes
O ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, já afirmou que a guerra tem prazo para acabar. Em contraste, ele também disse que “não chegou a hora de acordo com o Irã”.
Essas falas contribuem para a volatilidade, pois sinalizam tanto a possibilidade de uma solução rápida quanto a de um prolongamento do conflito.
Mudança de liderança no Irã
Outro fator que adiciona complexidade à situação é a mudança de liderança no Irã. O novo líder supremo do país é o aiatolá Mojtaba Khamenei.
A postura que ele adotará nas negociações e no manejo das tensões é uma variável ainda desconhecida, mas com potencial para influenciar os preços das commodities.
Essa combinação de elementos geopolíticos e econômicos cria um ambiente desafiador para os tomadores de decisão no Brasil.
A visão do economista Luciano Sobral sobre a Selic
Em meio a esse contexto, o economista-chefe da Neo Investimentos defende que, mesmo com o petróleo atingindo a marca de US$ 100, a taxa Selic não deveria ser mantida em 15% ao ano.
A posição sugere uma avaliação de que os riscos inflacionários, embora presentes, não justificariam a manutenção dos juros no patamar máximo. Sua análise considera:
- Os mecanismos de transmissão da alta do petróleo para a inflação brasileira
- As medidas já adotadas pelo governo
A gestora onde atua, com R$ 6,5 bilhões sob gestão, baseia suas estratégias de investimento em leituras como essa. Elas buscam antecipar os movimentos da política monetária.
Agora, a palavra final cabe ao Copom. A decisão do colegiado é capaz de influenciar crédito, investimentos e o custo de vida no país.

