O governo dos Estados Unidos avalia impor novas sanções ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes. A informação foi divulgada pelo jornal britânico Financial Times neste domingo, 16 de agosto de 2026, com base em duas fontes anônimas. Procurado pelo Valor, o STF não se pronunciou sobre o assunto.
O que diz a reportagem do Financial Times
De acordo com a publicação, as sanções estariam sendo consideradas no âmbito da Lei Magnitsky, da qual Moraes já foi alvo no ano passado. O jornal cita fontes que afirmam que o ministro persegue apoiadores do presidente americano, Donald Trump, no Brasil. Uma fonte ouvida pelo periódico disse que, embora os EUA queiram manter uma “boa relação” com o Brasil, Moraes é “claramente um inimigo”.
Sanções anteriores foram revertidas
O Financial Times lembra que as sanções iniciais contra Moraes, impostas por meio da Magnitsky, foram revertidas. No entanto, as ressalvas do governo americano em relação ao ministro “nunca foram embora”. A Lei Magnitsky permite ao governo dos EUA congelar ativos e negar vistos a pessoas consideradas violadoras de direitos humanos.
Contexto: Moraes e o julgamento de Bolsonaro
O ministro do STF é responsável por conduzir o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro, aliado de Trump, por tentativa de golpe de Estado. Bolsonaro foi condenado a 27 anos de prisão domiciliar. A relação entre Moraes e o governo americano tem sido marcada por tensões, especialmente após decisões do ministro que afetaram aliados de Trump no Brasil.
Reações e possíveis impactos
Em entrevista recente aos podcasts Não Inviabilize e As Cunhãs, o ex-presidente Bolsonaro afirmou: “Não se meta nos negócios do Brasil, sobretudo nas eleições. Se se meter, vão perder. Quem vier dar palpite nas eleições vai perder. Pode vir para cá quem quiser, nós vamos derrotá-los”. A declaração, no entanto, não menciona diretamente as sanções.
Especialistas ouvidos pela reportagem destacam que novas sanções poderiam afetar as relações bilaterais entre Brasil e EUA, mas a fonte não detalhou quais medidas específicas estão sendo consideradas. O governo americano não comentou oficialmente a matéria do Financial Times.
STF e governo brasileiro permanecem em silêncio
O STF não se manifestou sobre a notícia. A corte tem sido alvo de críticas de setores conservadores, que acusam Moraes de excessos em investigações envolvendo apoiadores de Bolsonaro. Por outro lado, defensores do ministro afirmam que suas decisões são necessárias para proteger a democracia.
Até o momento, não há confirmação oficial sobre a implementação das sanções. O Financial Times baseou sua reportagem em fontes anônimas, o que levanta questionamentos sobre a veracidade das informações. A fonte também não informou prazos ou procedimentos para a eventual aplicação das medidas.
Possíveis consequências diplomáticas
O caso ganha relevância em um momento de estreita cooperação entre os governos de Brasil e EUA, como o acordo comercial assinado em 2025 e a parceria ambiental na Amazônia. Uma eventual sanção contra um ministro do STF poderia gerar atrito diplomático, embora os EUA tenham dito que desejam manter boas relações com o Brasil.
Analistas políticos apontam que a discussão sobre sanções pode ser uma pressão simbólica, mas não descartam impactos práticos. A Lei Magnitsky já foi utilizada contra outros países, como Rússia e Venezuela, e pode ser aplicada a indivíduos de qualquer nacionalidade.
Posicionamento oficial
O ministro Alexandre de Moraes não comentou as alegações; sua assessoria informou que não há posicionamento oficial até o momento. A matéria do Financial Times, no entanto, reacende o debate sobre a atuação do STF e as relações internacionais do Brasil.
Enquanto isso, o governo brasileiro não se pronunciou sobre a possível sanção. O Itamaraty, responsável pela política externa, também não respondeu aos pedidos de esclarecimento. A expectativa é que o assunto seja tratado com cautela para evitar danos à parceria entre os dois países.
Conclusão
Em resumo, a discussão sobre novas sanções contra Alexandre de Moraes, divulgada pelo Financial Times, ainda está em estágio inicial. A fonte não detalhou quando as medidas poderiam ser adotadas. O STF permanece em silêncio, e o governo americano não confirmou a informação.

