O ministro Dias Toffoli deixou de atuar no processo envolvendo o Banco Master, mas a decisão não o declarou formalmente suspeito. O episódio ocorre em um momento de desgaste para o Supremo Tribunal Federal (STF).
Especialistas em Direito Constitucional avaliam que a medida não é suficiente para reverter a crise de reputação que atinge a mais alta corte do país.
Troca na relatoria: André Mendonça assume caso Master
Na noite de quinta-feira (12), o ministro André Mendonça foi sorteado para relatar o processo. A troca acontece após a saída de Toffoli, que se afastou do caso.
Dupla responsabilidade para Mendonça
Mendonça já é relator de outro processo polêmico: o inquérito sobre fraudes no INSS. Agora, assume uma pauta de grande repercussão financeira.
O caso Master envolve fundos de aposentadorias de servidores, como:
- Amapá Previdência (Amprev)
- Rioprevidência
Essas entidades investiram milhões em ativos do banco. A troca de relator coloca Mendonça no centro de uma discussão com impactos significativos para:
- Cofres públicos
- Milhares de beneficiários
Essa movimentação judicial acontece em um contexto de crescente escrutínio sobre as decisões do STF.
Críticas à atuação da Polícia Federal
O afastamento de Toffoli foi precedido por uma operação da Polícia Federal. No entanto, a forma como a PF conduziu as investigações recebeu críticas.
Lenio Streck, professor de Direito Constitucional da Unisinos e advogado, é um dos críticos. Para ele, a condução do caso pode ter contribuído para o atual cenário de desconfiança.
A crítica aponta para uma possível fragilidade nos procedimentos que antecederam a mudança na relatoria. Essa avaliação reforça que o episódio vai além de uma simples troca processual.
Oportunidade para Mendonça construir reputação
A nova responsabilidade é vista por alguns como uma chance para o ministro André Mendonça. Glezer, da FGV, considera que essa é uma oportunidade para ele construir a reputação que tem almejado.
Assumir um caso de grande complexidade e visibilidade pode ser um divisor de águas em sua trajetória no Tribunal. A condução do processo do Banco Master será observada com atenção por:
- Mérito jurídico
- Impacto na imagem do novo relator
Mendonça terá a tarefa de equilibrar a análise técnica com a expectativa pública por clareza e celeridade.
Iniciativa interna: busca por código de conduta
Paralelamente aos casos específicos, há uma iniciativa interna no STF para enfrentar a crise de reputação. O ministro Edson Fachin busca avançar na discussão sobre a criação de um código de conduta para o Supremo.
Apoio da sociedade
A proposta visa estabelecer regras mais claras de atuação para os ministros. A iniciativa tem apoio de 82% dos eleitores brasileiros, segundo pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta semana.
O alto índice de aprovação indica que a sociedade espera medidas concretas para fortalecer:
- Ética
- Transparência na Corte
No entanto, a implementação de um código ainda é um debate em andamento, sem garantias de sucesso.
Ceticismo sobre a solução
Nem todos os especialistas acreditam que um código de conduta seja a resposta adequada. Vera Chemin, advogada e especialista em Direito Constitucional, não acredita que a criação de um código seja capaz de resolver o problema.
Para ela, a crise pode exigir mudanças mais profundas do que a mera formalização de regras. Chemin argumenta que a Constituição, em seu artigo 95, já estabelece as vedações impostas aos juízes.
A existência de normas constitucionais levantaria dúvidas sobre a necessidade e a eficácia de um novo conjunto de regras internas. Essa visão cética sugere que a solução para a crise de reputação pode não ser simples ou rápida.
Desafio permanente do STF
A saída de Toffoli do caso Master, sem uma declaração formal de suspeição, ilustra os dilemas que o Supremo enfrenta. Por um lado, há a necessidade de preservar a imparcialidade e a imagem dos ministros.
Por outro, cada movimento é analisado sob a lupa de uma opinião pública cada vez mais atenta e crítica. O episódio mostra que a troca de um relator, por si só, não é suficiente para dissipar as nuvens sobre o Tribunal.
Enquanto André Mendonça assume a relatoria de um caso complexo, a Corte continua sua busca por mecanismos para restaurar a confiança. O caminho, no entanto, parece longo e cheio de obstáculos.

