O Diretório Nacional do Partido dos Trabalhadores (PT) aprovou na noite de sexta-feira (6) uma resolução com duras críticas à política monetária do Banco Central. O documento defende mudanças no sistema de metas de inflação e estabelece diretrizes para o ano eleitoral de 2026.
A resolução reafirma a defesa de uma agenda social com propostas como tarifa zero no transporte público e regulamentação do trabalho por aplicativos. A aprovação ocorre em um contexto de debate sobre os rumos da economia brasileira e as estratégias partidárias para as próximas eleições.
Críticas à política monetária vigente
A resolução do PT defende explicitamente a redução da taxa Selic, que atualmente se encontra em 15% ao ano. No documento, o partido afirma que o nível dos juros é “restritivo e incompatível” com as necessidades do desenvolvimento econômico do país.
Compatibilização de objetivos
O partido sustenta que o controle da inflação deve ser compatibilizado com:
- Crescimento econômico
- Geração de empregos
- Fortalecimento do investimento público
- Ampliação das políticas sociais
Essa posição representa um alinhamento com visões que priorizam o estímulo à atividade econômica em detrimento de uma política monetária mais restritiva.
Defesa da revisão da meta inflacionária
Paralelamente às críticas aos juros, o PT também defende a revisão da meta de inflação. A meta é fixada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) em 3% para este ano, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual.
Argumentos para revisão
O argumento central é que a meta atual pode estar limitando o potencial de crescimento da economia brasileira. Em 2025, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) fechou com alta de 4,26%, ficando abaixo do teto da meta, mas longe do centro fixado em 3%.
Expectativas do mercado
Para este ano, segundo o boletim Focus, os economistas do mercado financeiro reduziram de 4% para 3,99% a estimativa de inflação para 2026. A expectativa é que o Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) comece a reduzir a taxa básica de juros na reunião agendada para março.
Agenda social como prioridade para 2026
O texto faz um balanço da gestão petista e reafirma diretrizes para 2026, com destaque para a agenda social. Entre as propostas apresentadas estão:
- Fim da escala 6×1
- Tarifa zero no transporte público
- Regulamentação do trabalho por aplicativos
Esses projetos são uma das apostas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para o ano eleitoral. Representam bandeiras históricas do partido que buscam ampliar direitos trabalhistas e melhorar as condições de vida da população.
Posicionamentos políticos do documento
No campo político, o partido reafirma a defesa do multilateralismo em suas relações internacionais. Além disso, a resolução critica a captura do orçamento público por meio das emendas parlamentares.
Crítica às emendas parlamentares
Segundo a sigla, as emendas parlamentares distorcem o presidencialismo e estabelecem um sistema de chantagem política sobre o Executivo. Essas posições refletem preocupações com a governabilidade e a autonomia do Poder Executivo frente ao Legislativo.
Contexto econômico e expectativas
A resolução do PT surge em um momento de transição na política monetária brasileira. Com a inflação mostrando sinais de desaceleração, aumenta a pressão por reduções na taxa básica de juros.
O documento do partido amplifica esse debate ao questionar não apenas o nível dos juros, mas também a própria meta inflacionária vigente. As críticas às emendas parlamentares, por sua vez, tocam em um ponto sensível da relação entre os poderes.
Em um ano eleitoral onde a negociação política tende a se intensificar, a aprovação da resolução marca um posicionamento claro do PT. Os temas econômicos e políticos abordados devem dominar a agenda nacional nos próximos meses.

