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Previ estuda impugnar reunião do conselho da Vale

Previ estuda impugnar reunião do conselho da Vale

Crédito: valor.globo.com

Previ questiona legalidade de reunião

A Previ, fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil, estuda impugnar a reunião extraordinária do conselho de administração da Vale realizada na sexta-feira (19). O encontro teve como pauta principal a destituição do presidente do colegiado, Daniel Stieler. O questionamento surge por um suposto conflito de interesses: Stieler conduziu a reunião e também votou, mesmo sendo o objeto da demanda da Previ.

Fontes próximas a Stieler afirmam que o executivo estava amparado por pareceres jurídicos que indicavam não haver conflito. Segundo essas fontes, ele exerceu seu papel institucional como presidente do colegiado. A Previ, no entanto, avalia que a situação pode ter comprometido a lisura do processo.

Divergências entre conselheiros

A reunião de sexta-feira evidenciou divergências entre os conselheiros sobre o pedido de destituição feito pela Previ. Acionistas tradicionais da Vale, como Mitsui e Bradespar, se abstiveram na votação desse item. Já a Previ votou pela destituição, mas houve também votos contrários. Prevaleceu o entendimento de que o tema terá que ser apreciado pelos investidores na assembleia geral extraordinária (AGE).

Essa divisão mostra que não há consenso sobre a permanência de Stieler. Enquanto parte do conselho defende sua saída, outros acreditam que a decisão deve ser tomada pelos acionistas.

Documento com candidatos deve sair em breve

É esperado que nas próximas horas a Vale publique o manual da AGE com os nomes dos candidatos indicados para substituir Stieler, caso ele venha a ser afastado. O documento deve incluir uma proposta da administração da companhia pela manutenção de Stieler no cargo, conforme decidido pela maioria dos conselheiros na reunião de sexta-feira. A decisão final, no entanto, será dos investidores na assembleia.

A Previ, que aparece com 7,01% do capital social da Vale no pedido de AGE, tem uma posição total de cerca de 10% considerando participações indiretas via Litel e Litela. Esse percentual dá ao fundo peso significativo nas deliberações.

Disputa por cadeiras no conselho

Na reunião de sexta, foi ratificado o nome de José Maurício Pereira Coelho, ex-presidente da Previ, como substituto de Stieler no conselho da Vale. Coelho foi indicado pela Previ, mas a administração da mineradora, com maioria do conselho, apontou outro nome para a vaga: Ieda Gomes Yell. A executiva já havia participado de um processo de seleção de candidatos ao colegiado da Vale em 2025, liderado pela Korn Ferry, e chegou a fazer parte de uma lista tríplice entrevistada pelo conselho. Na ocasião, a escolhida foi Anelise Quintão Lara. Agora, Yell vai enfrentar Coelho caso haja a destituição de Stieler.

Além disso, o colegiado da Vale indicou o vice-presidente do conselho, Marcelo Gasparino, como candidato à presidência na hipótese de afastamento de Stieler. Gasparino vai concorrer contra o português Manuel Lino Silva de Sousa Oliveira, conhecido como “Ollie”, indicado pela Previ para o cargo de chairman. Stieler está no conselho da Vale desde 2021.

A disputa por cadeiras no conselho reflete a tensão entre os acionistas e a administração da Vale. Enquanto a Previ busca maior influência, a atual gestão tenta manter o controle. O desfecho dependerá do voto dos investidores na AGE.

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