Ícone do site Imóveis em Alta

Presenteísmo: funcionários presentes, mas pouco produtivos

Presenteísmo: funcionários presentes, mas pouco produtivos

Crédito: www.seudinheiro.com

O que é presenteísmo?

O presenteísmo é um fenômeno silencioso que afeta a produtividade nas empresas: o colaborador está fisicamente ou virtualmente presente no trabalho, mas atua com capacidade reduzida. Diferente do absenteísmo, em que o funcionário falta, no presenteísmo ele está ali, porém com desempenho abaixo do esperado. Segundo dados recentes, as empresas brasileiras têm, em média, um índice de presenteísmo de 32%, o que representa uma perda significativa de retorno sobre os investimentos em folha de pagamento.

Vídeo: YouTube | Fonte: www.seudinheiro.com

Como identificar o presenteísmo

O presenteísmo não é um reflexo das quedas de produtividade naturais de cada trabalhador. O termo mede situações mais prolongadas, muitas vezes relacionadas a problemas de saúde física ou mental. Elza Veloso, professora do Programa de Liderança e Gestão de Pessoas da FIA Business School, explica que o presenteísmo pode ser causado por sintomas físicos, emocionais ou cognitivos, como dor, fadiga, estresse, ansiedade, dificuldade de concentração, irritabilidade ou exaustão.

O presenteísmo é mais silencioso que o absenteísmo, pois o colaborador está presente, mas com performance reduzida. Tatiana Pimenta, CEO da plataforma de saúde mental Vittude, destaca que o fenômeno muitas vezes passa despercebido pelas lideranças, que podem atribuir a baixa produtividade a outros fatores.

Impactos na produtividade e nos custos

O Censo de Saúde Mental da Vittude, publicado em fevereiro com dados de 2025, mostra que as empresas brasileiras têm, em média, um índice de presenteísmo de 32%. Isso significa que cada trabalhador perde um terço da produtividade potencial devido a limitações físicas, cognitivas, emocionais ou organizacionais. Em termos financeiros, a cada R$ 100 investidos em folha de pagamento, R$ 32 deixam de retornar em trabalho efetivamente realizado.

Fatores que mais afetam a produtividade

Entre os fatores que mais afetam a produtividade, 49% das respostas dos colaboradores apontam questões físicas, como dor muscular, lombar e tensional, fadiga intensa, sensação de esgotamento físico, tensão corporal e problemas de sono. Sintomas físicos podem ser reflexo de sobrecarga emocional, principalmente em ambientes de trabalho com alta demanda, segundo especialistas.

Consequências para a empresa e o ambiente

O presenteísmo pode gerar redução da capacidade de aprendizagem, além de aumentar os custos de contratações caso a empresa não identifique a raiz do problema. O fenômeno também pode ocasionar um problema estrutural, contaminando todo o ambiente e criando um efeito cascata. Ricardo Guerra, CEO da plataforma de bem-estar corporativo Wellhub, alerta que o presenteísmo costuma ser um sintoma de uma empresa com fragilidades na gestão de pessoas.

O presenteísmo revela ambientes que têm sobrecarga, insegurança psicológica, dificuldade de priorização, pressão excessiva, baixa autonomia, relações desgastadas ou ausência de suporte por parte das lideranças. Em empresas maiores, o efeito do presenteísmo tende a ser mais diluído devido a mais camadas e processos. Já em pequenas e médias empresas, os efeitos surgem rapidamente por meio de problemas da operação, feedbacks negativos de clientes e resultados menores.

Como driblar o presenteísmo

Para combater o presenteísmo, é essencial que as empresas invistam em uma gestão de pessoas mais atenta e em políticas de bem-estar. Identificar as causas — sejam físicas, emocionais ou organizacionais — é o primeiro passo. Oferecer suporte psicológico, promover pausas adequadas e reduzir a sobrecarga de trabalho são medidas que podem ajudar. Além disso, lideranças devem estar preparadas para reconhecer sinais de baixa produtividade e oferecer acolhimento, em vez de pressionar ainda mais os colaboradores.

O presenteísmo não é um problema individual, mas um reflexo de fragilidades organizacionais. Empresas que conseguem criar ambientes mais saudáveis e com maior segurança psicológica tendem a reduzir o índice de presenteísmo e, consequentemente, aumentar a produtividade real.

Fonte

Sair da versão mobile