O ouro fechou a semana com perda de 3,37%, um movimento que contraria a tendência histórica em períodos de tensão geopolítica. Na sexta-feira, o contrato para abril na bolsa de Nova York subiu 1,57%, fechando a US$ 5.158,7 por onça-troy, mas não foi suficiente para reverter o tom negativo dos últimos cinco pregões.
A prata, outro metal precioso, seguiu caminho similar, com alta diária de 2,59%, para US$ 84,31, mas acumulando queda semanal de 9,03%.
O paradoxo do porto seguro
Em momentos de incerteza global, como o atual conflito no Oriente Médio, o ouro costuma ser demandado como um ativo de proteção. O clima de tensão segue elevado com a escalada das hostilidades envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, que completa uma semana.
Nesta sexta-feira, o presidente norte-americano Donald Trump afirmou que Washington não pretende negociar com o Irã e que aceitará apenas a “rendição incondicional” do país. Esse tipo de declaração aumenta a volatilidade nos mercados financeiros, mas, desta vez, não foi suficiente para sustentar uma alta consistente do metal.
A sombra dos juros americanos
Expectativas do Federal Reserve
Um dos principais fatores que influenciaram o preço do ouro foi o debate sobre o rumo da política monetária dos Estados Unidos. Segundo Kevin Wong, analista da Oanda, o mercado teme um cenário de estagflação, que pode reduzir as apostas de cortes de juros pelo Federal Reserve neste ano.
Custo de oportunidade
Se os juros permanecerem elevados por mais tempo, aumenta o custo de oportunidade de manter ouro na carteira, já que o metal não paga juros. Quando os títulos do governo americano oferecem retornos altos, alguns investidores preferem migrar para esses ativos, pressionando a demanda pelo metal precioso.
Alívio momentâneo na sexta-feira
Fatores de suporte diário
O desempenho positivo do ouro no último dia da semana foi impulsionado por três fatores principais:
- Dados mais fracos do mercado de trabalho americano (payroll de fevereiro abaixo do esperado)
- Dólar mais fraco
- Queda nos rendimentos dos títulos do governo americano (Treasuries)
Esse conjunto de fatores criou um ambiente momentaneamente favorável, mas não alterou a tendência de fundo da semana.
Perspectivas para o ouro
Cabo de guerra entre forças opostas
A trajetória do ouro nas próximas sessões deve continuar sendo um cabo de guerra entre forças opostas:
- A favor: Tensão geopolítica no Oriente Médio sustenta a narrativa do metal como refúgio
- Contra: Expectativas sobre os juros nos Estados Unidos criam um vento contrário significativo
Ambiente para metais preciosos
O desempenho da prata, com perda semanal ainda mais acentuada (9,03%), reforça que o ambiente para metais preciosos como um todo permanece desafiador. A atenção dos investidores agora se volta para:
- Novos sinais do Federal Reserve
- Evolução do conflito internacional
