A operação da Polícia Federal contra o senador Ciro Nogueira (PP-PI) aprofundou o principal dilema da campanha de Flávio Bolsonaro à Presidência da República. O avanço da investigação reacendeu discussões internas sobre a montagem da chapa presidencial e o perfil da vaga de vice.
Riscos políticos da aliança com PP
A avaliação entre integrantes do PL é que a operação da PF aumentou os riscos políticos de uma aliança com o PP. A estratégia para a montagem da chapa presidencial e o perfil da vaga de vice voltaram a ser alvo de discussões internas. A estratégia de empurrar a definição para a frente ainda é o caminho mais defendido por pessoas que aconselham Flávio.
Estratégia de distanciamento cauteloso
Nos bastidores, aliados do pré-candidato evitam o tom de rompimento com a federação União-PP e relativizam os efeitos da operação da Polícia Federal. Em nota divulgada após a operação, defendeu “uma ampla apuração”, e, sem citar nominalmente Ciro, afirmou considerar “graves” as informações divulgadas. A estratégia é tentar separar a imagem de Ciro da federação, defender os avanços da investigação e analisar os impactos nas pesquisas de intenção de voto antes de decisões definitivas.
Orientação de aliados e foco no eleitorado
Aliados de Flávio afirmam que a orientação será defender o avanço das investigações e evitar qualquer sinal de blindagem política, mas não queimar pontes, neste momento, com a federação União-PP. Flávio tenta evitar desgaste com o eleitorado bolsonarista mais identificado com a pauta anticorrupção, além de tentar deslocar o foco do caso para o governo Lula.
Alternativa com Zema ganha força
Há uma ala no entorno de Flávio que avalia que a repercussão do caso fortalece uma composição com Zema — ainda que a estrutura partidária do Novo não agregue tanto à campanha. Na leitura desses aliados, Flávio já tem um perfil mais “moderado” do que o pai e o nome de Zema tem maior alinhamento ideológico e programático com o bolsonarismo.

