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Operação Americanas da PF era gestada há mais de 6 meses

Operação Americanas da PF era gestada há mais de 6 meses

Crédito: valor.globo.com

A Polícia Federal (PF) aguardava desde o fim de 2023 para deflagrar a segunda fase da Operação Disclosure, que investiga fraudes na Americanas. A autorização judicial veio apenas na semana passada, e na quinta-feira (25) foram cumpridos mandados de busca e apreensão contra oito alvos, incluindo o acionista Carlos Alberto Sicupira e executivos de bancos credores.

Investigação em gestação por mais de seis meses

Segundo informações apuradas, a PF já havia concluído as investigações preliminares ainda em 2023, mas dependia do sinal verde do Judiciário. A demora de mais de seis meses indica que a operação foi cuidadosamente planejada, com análise de documentos e depoimentos. A complexidade do caso, que envolve supostas fraudes contábeis bilionárias, exigiu que os investigadores evitassem vazamentos e garantissem provas robustas.

Os mandados de busca e apreensão atingiram Carlos Alberto Sicupira, um dos acionistas de referência da varejista, além de ex-conselheiros e executivos de bancos credores. Foram recolhidos itens como celulares e notebooks. A ação ocorreu simultaneamente no Rio de Janeiro e em São Paulo, demonstrando a abrangência das investigações.

Reações dos envolvidos

Bancos credores

O Bradesco afirmou que “acompanha e está à disposição das autoridades”. Já o Santander declarou que “está ao lado das partes prejudicadas na apuração das fraudes envolvendo a Americanas e segue colaborando com as autoridades competentes, como tem feito desde o início das apurações”. O banco reiterou “seu compromisso com a ética, a transparência e o estrito cumprimento da regulamentação em suas operações”.

Americanas

Na quinta-feira, a Americanas disse, em nota, que não foi alvo de mandados de busca e que seguirá colaborando com as investigações, sendo a maior interessada no esclarecimento dos fatos. A varejista, em recuperação judicial, divulgou recentemente seus resultados trimestrais: vendas líquidas cresceram 20% de janeiro a março, para R$ 3 bilhões; o prejuízo caiu 34%, para R$ 329 milhões; a dívida bruta era de R$ 2,1 bilhões, com R$ 1,7 bilhão em caixa, resultando em dívida líquida de R$ 347 milhões.

Impacto jurídico e cautela

Um advogado especializado há 25 anos em recuperação judicial questiona se a Justiça daria uma decisão dessa magnitude. Ele afirma: “Tecnicamente, nada disso deveria importar, só que é inegável que a dose de cautela do magistrado tende a aumentar, por uma questão de prudência”. A fala reflete a complexidade do caso, que envolve grandes empresas e figuras públicas, exigindo do Judiciário equilíbrio entre combate à fraude e preservação dos direitos processuais.

A operação desta semana representa mais um capítulo na investigação que já resultou em prisões e afastamentos de executivos. A expectativa é que os materiais apreendidos, como celulares e notebooks, sejam periciados nos próximos dias, podendo revelar novas evidências. A PF não descarta novas fases da operação, à medida que os dados forem analisados.

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