A resseguradora IRB (IRBR3) divulgou resultados financeiros robustos para 2025, marcando um ano de recuperação com lucro líquido de R$ 504,8 milhões, um crescimento de 35,5% em relação a 2024. A empresa anunciou ainda a intenção de retomar a distribuição de dividendos aos acionistas, interrompida há cinco anos. Por outro lado, um antigo episódio de inconsistências contábeis voltou a assombrar a companhia, com a notícia de uma nova ação de arbitragem no valor de R$ 320 milhões movida por antigos investidores.
Resultados financeiros em alta
No quarto trimestre de 2025, a IRB registrou lucro líquido de R$ 143 milhões, o que representa uma alta de 27,4% na comparação com o mesmo período do ano anterior. Esse desempenho contribuiu para o resultado acumulado do ano, que chegou a R$ 504,8 milhões.
Indicadores de sinistralidade e underwriting
Além disso, o índice de sinistralidade, que mede a proporção de sinistros em relação aos prêmios, caiu para 51,6% no último trimestre, ficando 12,4 pontos percentuais abaixo do registrado no quarto trimestre de 2024.
No acumulado de 2025, o índice de sinistralidade ficou em 57,4%, um recuo de 6,5 pontos percentuais. Outro indicador positivo foi o resultado de underwriting, que ficou positivo em R$ 292,8 milhões, com crescimento de 64,7% na comparação anual.
O índice combinado total, que soma sinistralidade e despesas, caiu cerca de 5 pontos percentuais, para 94,3% em 2025. Esses números refletem uma melhora na gestão de riscos e na eficiência operacional da empresa.
Retorno dos dividendos após cinco anos
Após cinco anos sem distribuir proventos, o IRB anunciou que pretende retomar a distribuição de dividendos. A proposta será submetida à aprovação dos acionistas em uma assembleia marcada para 31 de março.
Esse movimento é visto como um sinal de confiança da administração na saúde financeira da companhia e na sustentabilidade dos resultados recentes.
A retomada dos dividendos pode atrair novos investidores em busca de renda, além de recompensar os acionistas que permaneceram com a empresa durante um período turbulento. No entanto, a decisão final dependerá do aval dos acionistas na assembleia, que avaliarão a proposta com base nos números divulgados e no contexto atual do mercado.
Fantasma da fraude reaparece
Enquanto celebra os bons resultados, a IRB enfrenta um revés jurídico relacionado a um antigo episódio de inconsistências contábeis. A empresa informou que antigos acionistas iniciaram um novo processo de arbitragem no valor de R$ 320 milhões.
Investidores envolvidos na ação
A ação é liderada por 74 pessoas jurídicas, incluindo fundos ligados a:
- Santander
- Western Asset
- Bradesco
- Verde
Esse caso remonta a 2020, quando a gestora Squadra Investimentos publicou uma análise sobre o balanço do terceiro trimestre de 2019. Na época, a gestora estimou que, sem itens considerados extraordinários, a companhia teria registrado prejuízo de R$ 112 milhões no período.
Meses depois, o próprio IRB confirmou inconsistências contábeis, o que abalou a confiança de investidores e levou a uma série de questionamentos.
Contexto histórico do caso
Fevereiro marca o aniversário de seis anos da carta da Squadra Investimentos, que expôs as supostas irregularidades. O documento foi um marco na crise de credibilidade da IRB, culminando na confirmação das inconsistências pela própria empresa.
Desde então, a resseguradora tem trabalhado para reconstruir sua imagem e fortalecer seus controles internos.
A nova ação de arbitragem, no entanto, mostra que as consequências desse episódio ainda persistem. Os investidores afetados buscam compensação pelos prejuízos alegados, o que pode impactar financeiramente a IRB se a decisão for desfavorável.
A empresa não detalhou os prazos ou as chances de sucesso do processo, mas a notícia já gera apreensão no mercado.
Desafios e perspectivas futuras
Os resultados positivos de 2025 e o anúncio da volta dos dividendos indicam um caminho de recuperação para a IRB, com melhorias em indicadores-chave como sinistralidade e underwriting.
A assembleia de março será um momento crucial para validar essa trajetória, com os acionistas decidindo sobre a distribuição de proventos.
Por outro lado, a ação de arbitragem de R$ 320 milhões serve como um lembrete dos problemas passados e dos riscos ainda presentes. A empresa precisará gerenciar esse contencioso jurídico enquanto mantém o foco na operação e na geração de valor para os acionistas.
O mercado acompanhará de perto como a IRB equilibrará essas duas frentes nos próximos meses.

