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Investidor estrangeiro volta à bolsa brasileira, mas de forma setorizada

Investidor estrangeiro volta à bolsa brasileira, mas de forma setorizada

Crédito: www.seudinheiro.com

O investidor estrangeiro voltou a comprar ações brasileiras no início de setembro, após um agosto de forte retração. Segundo relatórios de XP Investimentos e Itaú BBA, os ingressos líquidos somaram R$ 10,8 bilhões e R$ 3,9 bilhões, respectivamente, até o dia 4 de setembro. O movimento ocorre depois de saques bilionários que marcaram o mês anterior, quando o mercado local enfrentou uma combinação de fatores globais e domésticos desfavoráveis.

Agosto teve debandada recorde do estrangeiro

O mês de agosto foi marcado por uma forte debandada do investidor estrangeiro da bolsa brasileira. Segundo a XP, os estrangeiros sacaram R$ 22,2 bilhões do mercado acionário local, divididos entre saídas de R$ 18,1 bilhões no mercado à vista e R$ 4,1 bilhões no mercado futuro. O Itaú BBA registrou saída de R$ 18,1 bilhões no mesmo período, alinhado ao dado da XP para o mercado à vista.

O levantamento do Itaú BBA aponta que os ETFs focados em Brasil sofreram resgates líquidos de R$ 3,3 bilhões no último mês e de R$ 400 milhões na última semana, mantendo um saldo positivo acumulado de R$ 31,9 bilhões no ano. A XP atribui o fraco desempenho à combinação entre a atratividade global da tese de inteligência artificial (IA) e uma temporada de balanços do segundo trimestre com lucros abaixo das expectativas em setores como varejo e construção.

Além disso, em agosto, o JPMorgan rebaixou o Brasil de compra para neutro, o que desencadeou 11 quedas consecutivas no Ibovespa, a pior sequência desde 2023. O Morgan Stanley também rebaixou as ações brasileiras para neutro, alegando piora na relação risco/retorno. Esses movimentos de bancos globais intensificaram a aversão ao risco no mercado local.

Vídeo: YouTube | Fonte: www.seudinheiro.com

Setembro começa com fluxo positivo

Com a virada do mês, o cenário mudou. A XP calcula que as entradas líquidas totais de estrangeiros somam R$ 10,8 bilhões no início de setembro, enquanto o Itaú BBA anotou ingressos de R$ 3,9 bilhões no mesmo período. A diferença entre os números reflete metodologias distintas de apuração, mas ambos indicam retorno do apetite externo.

Segundo a análise da XP, o Brasil retornou ao radar do investidor externo na medida em que as pesquisas eleitorais mostram empate técnico, a inflação acumulada em 12 meses caiu para 4,2% e o Ibovespa negocia a 7,5 vezes lucros, abaixo da média histórica. Ainda assim, as entradas líquidas em bolsa somam R$ 26,9 bilhões no mercado à vista em 2026, distante do pico de R$ 69,1 bilhões visto em meados de abril.

Setores que o estrangeiro abandonou em agosto

O movimento de venda em agosto foi concentrado em alguns setores. Segundo o BBA, as maiores vendas líquidas estrangeiras se concentraram em Utilities, com vendas líquidas de R$ 5,09 bilhões; Financeiro, com saídas de R$ 3,99 bilhões; e Energia, com saídas de R$ 3,96 bilhões. Outros setores vendidos incluem Serviços de Comunicação (-R$ 646 milhões), Materiais Básicos (-R$ 766 milhões), Imobiliário (-R$ 249 milhões) e Consumo Discricionário (-R$ 219 milhões).

O relatório da XP indica que apenas seis de 17 setores tiveram entradas líquidas em agosto, com Saneamento, Bancos, Elétricas e Óleo, Gás e Petroquímicos liderando as saídas. A concentração de vendas nesses setores sugere uma rotação de portfólio em direção a ativos considerados mais defensivos ou com maior potencial de crescimento.

Onde o estrangeiro está comprando agora

Apesar da cautela, alguns setores atraíram capital estrangeiro mesmo em agosto. Segundo o Itaú BBA, Tecnologia da Informação teve aportes de R$ 520 milhões, Saúde de R$ 300 milhões, Bens Industriais de R$ 264 milhões e Consumo Não Discricionário de R$ 75 milhões. A XP aponta Bens de Capital, Saúde, Alimentos & Bebidas e Papel & Celulose como destaques positivos no mês.

Em setembro, a XP nota melhora disseminada, com 10 de 17 setores apresentando fluxo comprador líquido até o momento. A diversificação das compras sugere que o investidor estrangeiro está mais confiante, mas ainda seletivo, priorizando setores com fundamentos sólidos e exposição a temas globais, como tecnologia e saúde.

Acumulado do ano mostra preferências claras

No acumulado de 2026, o perfil de alocação do estrangeiro fica evidente. Entre os mais comprados, Energia lidera com R$ 25,2 bilhões, seguida por Materiais Básicos (R$ 8,9 bilhões), Utilidade Pública (R$ 3,1 bilhões) e Financeiro (R$ 2,2 bilhões). Por outro lado, entre os mais vendidos estão Consumo Não Discricionário (-R$ 5,7 bilhões), Saúde (-R$ 3,45 bilhões) e Tecnologia da Informação (-R$ 2,75 bilhões).

Essa dinâmica revela uma preferência por setores ligados a commodities e infraestrutura, enquanto setores mais sensíveis ao consumo doméstico seguem sofrendo resgates. A XP relata que os investidores domésticos compraram R$ 2,1 bilhões em agosto, mas venderam R$ 800 milhões nos primeiros dias de setembro. O comportamento oposto entre estrangeiros e locais pode indicar uma divergência de visões sobre o mercado brasileiro.

Em relatório de 2 de setembro, o Bank of America (BofA) elevou a recomendação das ações brasileiras para compra, citando valuations descontados e expectativa de queda da Selic. Ainda assim, o investidor estrangeiro não compra tudo: a seletividade setorial é a marca do retorno, com foco em tecnologia, saúde e bens industriais, enquanto utilities, financeiro e energia seguem no radar de vendas.

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