Na semana passada, estive em um evento de jornalismo sobre inteligência artificial com a Júlia Wiltgen, minha colega desde o início do Seu Dinheiro. O clima no evento não era de inovação ou entusiasmo, mas de puro medo. Entre um painel e outro, a pergunta que pairava no ar era: nossos empregos ainda existirão amanhã?
O medo de virar ascensorista digital
Advogados, programadores, analistas e assistentes cada vez mais temem virar os ascensoristas e datilógrafos do século 21. A sensação de obsolescência iminente não é infundada. Ruy Alves, sócio e gestor da Kinea, deu uma aula sobre por que o avanço da inteligência artificial parece tão avassalador na última edição do podcast Touros e Ursos.
Ruy Alves desmonta a ideia de ‘mágica’ e afirma que a IA exige três elementos básicos: dados, capacidade de processamento e energia elétrica. À medida que a inteligência artificial passa a processar mais informação por mais tempo, ela começa a alterar de forma profunda a maneira como o ser humano trabalha.
Vídeo: YouTube | Fonte: www.seudinheiro.com
‘Escravos digitais’ e o batalhão invisível
Ruy Alves usou a expressão ‘escravos digitais’ para descrever sistemas capazes de operar 24 horas por dia, sete dias por semana, executando tarefas repetitivas sem pausa. Um profissional passa a operar com um batalhão invisível de agentes capazes de executar tarefas repetitivas em velocidade brutal. Para esse grupo, a produtividade pode multiplicar por 10, por 100, mas a barreira de entrada sobe e várias tarefas antes tratadas como ‘intelectuais’ passam a correr risco real de automação.
É o caso do advogado que pesquisa jurisprudência, do assistente que organiza planilhas, do profissional que resume relatórios, consolida dados em planilhas e prepara apresentações. Essas funções, antes vistas como seguras, agora estão na mira da automação.
Trabalho menor? Não é o roteiro
Segundo Ruy Alves, a IA também não deve mudar o roteiro de que avanços tecnológicos nos fariam trabalhar menos. Seguimos movidos por competição, status, ambição e necessidade de relevância social. A inteligência artificial não deve simplesmente eliminar o trabalho, mas redistribuir poder, renda e prestígio.
O diploma perde parte de sua força como selo automático de valor. No mundo da IA, o diferencial tende a migrar para a capacidade de resolver problemas reais, formular boas perguntas, tomar decisões melhores e fazer a máquina trabalhar a seu favor. A nova elite não será formada apenas pelos mais educados, mas pelos mais conectados.
Vendedores de pás e garimpeiros
Os ‘vendedores de pás’ — como Nvidia e TSMC — já atingiram valores trilionários. Os ‘garimpeiros’, como OpenAI e Anthropic, ainda geram uma receita muito menor do que o entusiasmo sugere. Esse mercado movimenta algo em torno de US$ 80 bilhões. A fonte não detalhou a origem exata desse valor, mas o número ilustra o tamanho do ecossistema.
Fonte
- www.seudinheiro.com
- última edição do podcast Touros e Ursos (youtu.be)
- 1 Ações da Embraer (EMBJ3) lideram altas do Ibovespa com acordo bilionário e nov (seudinheiro.com)
- 2 CSN (CSNA3) desaba mais de 10% e lidera perdas do Ibovespa; nem a Vale (VALE3) (seudinheiro.com)
- 3 Lei da saúde mental no trabalho já está em vigor: o que a NR-1 muda para os fu (seudinheiro.com)
- ETF: o investimento mais simples da B3? Veja as vantagens e os principais fundos (www.youtube.com)

