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Inovação não depende de dinheiro, defende diretora do Valor

Inovação não depende de dinheiro, defende diretora do Valor

Crédito: valor.globo.com

Inovação deve ser estratégia e não depender de caixa disponível, diz diretora do Valor

No dia 3 de agosto de 2026, durante a cerimônia de abertura do Prêmio Valor Inovação Brasil 202…, Maria Fernanda Delmas, diretora de Redação do Valor Econômico, fez uma declaração contundente sobre o papel da inovação nas empresas.

“A inovação precisa fazer parte da estratégia das empresas e não depender da disponibilidade de recursos”, afirmou. A fala ressalta a necessidade de mudança de mentalidade no ambiente corporativo, onde a inovação muitas vezes é tratada como item acessório, sujeito à sobra de caixa.

A premiação, que celebra sua edição de 202…, reafirma o compromisso do Valor Econômico em promover a cultura da inovação no país. O evento reuniu lideranças empresariais e especialistas em um momento de celebração das práticas inovadoras, e já se consolidou como referência no setor, buscando reconhecer companhias que transformam a inovação em pilar do negócio.

A mensagem de Delmas ecoou como um alerta: sem uma visão estratégica, os esforços inovadores correm o risco de serem descontinuados ao primeiro sinal de turbulência financeira. Esse é um recado especialmente relevante para o contexto brasileiro, marcado por ciclos econômicos desafiadores.

Visão estratégica acima do orçamento

Maria Fernanda Delmas reforçou que a inovação deve estar conectada a uma visão estratégica, e não ao caixa disponível. “Deve vir primeiro, não depender do dinheiro que sobra”, disse.

Essa abordagem contrasta com a realidade de muitas organizações, que condicionam projetos inovadores à existência de recursos excedentes. Quando o orçamento aperta, esses investimentos são os primeiros a serem cortados, comprometendo a competitividade no longo prazo.

Empresas que enfrentam crises sem um colchão de inovação tendem a perder espaço para concorrentes mais ágeis. A diretora acrescentou: “A inovação nas empresas deve estar conectada a uma visão estratégica, e não ao caixa disponível”.

A ênfase na estratégia indica que a inovação precisa ser enraizada no planejamento, com metas claras e alocação consistente de capital, mesmo em momentos de vacas magras. Essa postura, segundo a executiva, diferencia as empresas que apenas sobrevivem daquelas que prosperam em um mercado volátil. A consistência nos investimentos em inovação é um fator determinante para a longevidade dos negócios.

Inovação como pilar do negócio

Tratar a inovação como elemento central da estratégia requer uma mudança cultural profunda. Em vez de ser um departamento isolado ou um conjunto de iniciativas pontuais, ela deve permear todas as áreas da empresa.

Desde o conselho de administração até as operações do dia a dia, a busca por melhorias, novos produtos e processos mais eficientes precisa ser uma responsabilidade coletiva. As empresas que mais se destacam no Prêmio Valor Inovação Brasil são justamente aquelas que integram a inovação como uma competência transversal, e não como uma atividade periférica.

Quando a inovação fica dependente do caixa que sobra, ela assume um caráter reativo e fragmentado. As empresas acabam investindo apenas em momentos de bonança, perdendo oportunidades de se reinventar durante crises — justamente quando a criatividade e a adaptação são mais necessárias.

Além disso, projetos inovadores demandam tempo para maturar; interrompê-los por falta de verba pode significar jogar fora anos de pesquisa e desenvolvimento. O recado de Delmas é um convite à reflexão para líderes que desejam construir organizações resilientes e preparadas para o futuro.

O papel da liderança e da cultura

Uma estratégia de inovação bem definida começa com a liderança. São os executivos de alto escalão que devem patrocinar iniciativas e garantir que os recursos não sejam desviados para outras prioridades quando surgem dificuldades financeiras.

Além disso, é fundamental que a inovação esteja alinhada aos objetivos de negócio — seja para aumentar a eficiência operacional, desenvolver novos mercados ou melhorar a experiência do cliente. Sem esse alinhamento, corre-se o risco de dispersar esforços em projetos descolados da realidade da empresa.

A cultura organizacional desempenha um papel igualmente crucial. Empresas que punem o erro dificilmente conseguirão inovar de forma consistente, pois a inovação envolve riscos inerentes. Criar um ambiente que tolera falhas e incentiva a experimentação é parte indissociável de uma estratégia que coloca a inovação em primeiro lugar.

A mudança de cultura leva tempo, mas os exemplos das vencedoras do prêmio mostram que é possível construir uma mentalidade voltada à inovação contínua.

Impacto no ecossistema de negócios

A fala de Delmas ganha ainda mais relevância em um cenário de incertezas econômicas globais. Empresas que adotam a inovação como parte de sua estratégia tendem a sobreviver melhor a disrupções, pois estão constantemente se reinventando.

Por outro lado, aquelas que a tratam como custo variável ficam mais expostas a choques externos. Em mercados desenvolvidos, os investimentos em inovação costumam ser blindados mesmo em períodos de recessão — uma prática ainda pouco difundida no Brasil.

O Prêmio Valor Inovação Brasil 202…, cuja abertura foi marcada por esse discurso, tem o objetivo de destacar casos de sucesso que inspiram o mercado. A escolha das empresas vencedoras leva em conta justamente a capacidade de integrar inovação ao core business, mostrando que não se trata apenas de tecnologia, mas de uma mentalidade que valoriza a experimentação e o aprendizado contínuo.

As inscrições para a edição de 202… certamente trarão novos exemplos de como a inovação estratégica pode ser um diferencial competitivo.

O caminho para a transformação

Incorporar a inovação de forma estratégica exige mais do que discursos: é preciso criar mecanismos de governança que garantam investimentos recorrentes, independentemente do ciclo econômico. Isso pode envolver a definição de um percentual fixo da receita para pesquisa e desenvolvimento, ou a criação de comitês dedicados a monitorar tendências e propor mudanças.

Outro desafio é mensurar o retorno desses investimentos, já que os resultados da inovação muitas vezes não são imediatos. As empresas precisam aprender a equilibrar a pressão por resultados de curto prazo com a necessidade de construir o futuro.

Além de recursos financeiros, a inovação estratégica demanda talento e infraestrutura. Investir em capacitação de equipes, parcerias com universidades e startups, e ambientes que favoreçam a criatividade são ações que reforçam o compromisso com a inovação.

A visão de Delmas oferece um norte: se a inovação estiver verdadeiramente no centro da estratégia, os indicadores de sucesso serão repensados e a empresa estará mais preparada para os desafios vindouros.

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