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Inflação BC 2028: queda abrupta rumo à meta

Inflação BC 2028: queda abrupta rumo à meta

Crédito: valor.globo.com

Projeção de inflação cai para 3,2% em março de 2028

O Relatório de Política Monetária (RPM) divulgado pelo Banco Central nesta semana mostra que a inflação terá uma queda acentuada entre o quarto trimestre de 2027 e o primeiro trimestre de 2028, chegando perto da meta contínua de inflação, de 3%. Dessa forma, para dezembro de 2027, o Copom projeta uma inflação de 3,7%. em março de 2028, a inflação projetada está em 3,2%. Os dados completam as explicações do BC sobre por que o Copom decidiu olhar um trimestre à frente de seu horizonte de política monetária na reunião da semana passada. Portanto, a queda abrupta representa uma mudança significativa no cenário inflacionário. No entanto, a fonte não detalhou as razões exatas para a velocidade da queda, mas o relatório aponta fatores que contribuem para essa trajetória.

El Niño e juros explicam a queda abrupta

Segundo o Banco Central, a queda acentuada da inflação se deve primordialmente ao fim dos efeitos do fenômeno El Niño na inflação acumulada em 12 meses. Ou seja, o BC está contando que, depois de pressionar a inflação fortemente no segundo semestre deste ano, o El Niño vá saindo das contas ao longo de 2027. Além disso, há o peso da política monetária, já que os juros reais ficaram mais apertados desde a edição anterior do documento, divulgada em março. Consequentemente, a combinação desses dois fatores — o fim do choque de oferta e o aperto monetário — cria um cenário de desinflação mais rápida no curto prazo. Ademais, a partir de 2028, a normalização de preços relativos de alimentos tem contribuição baixista relevante para a inflação acumulada em quatro trimestres.

Aritmética desconfortável para o Copom

A combinação das projeções de inflação muito alta num trimestre e bem mais baixa no seguinte colocava diante do Copom uma aritmética desconfortável. Isto é, para colocar a inflação na meta no quarto trimestre de 2027 e no trimestre seguinte, seriam necessárias variações abruptas da taxa Selic, conforme a ata do Copom. Assim sendo, isso explica por que o comitê optou por adiar o horizonte relevante para o primeiro trimestre de 2028, evitando movimentos bruscos na política monetária. Por exemplo, na semana passada, a taxa básica foi reduzida de 14,5% ao ano para 14,25% ao ano. Todavia, o adiamento do cumprimento da meta foi inicialmente entendido por setores do mercado como uma justificativa para seguir baixando a Selic.

Mercado interpretou mal o comunicado

A má interpretação do mercado se deveu, em boa medida, ao comunicado do Copom, que entrou em assuntos muito técnicos da operação do sistema de metas de inflação. Dessa forma, muitos agentes financeiros viram a mudança no horizonte como um sinal de que o BC poderia cortar os juros mais rapidamente. No relatório, o Banco Central não dá muitos detalhes adicionais sobre a lógica de sua decisão, mas traz informações importantes para compreender de forma mais completa o que aconteceu. Em resumo, o documento parece ter esclarecido as dúvidas do mercado sobre o adiamento do horizonte relevante de política monetária. Contudo, o documento não atende à demanda do mercado por uma sinalização mais clara sobre uma eventual pausa no ciclo de baixa da Selic na próxima reunião, marcada para agosto.

Comunicação cautelosa e cenário desfavorável

A comunicação oficial, até aqui, tem evitado dar indicações firmes sobre o que vai fazer em um ambiente de incerteza. No conjunto, o Banco Central está pintando um quadro inflacionário mais desfavorável. Embora a inflação projetada para 2028 esteja próxima da meta, o caminho até lá é marcado por riscos e volatilidade. Portanto, o BC reforça que a política monetária precisa permanecer vigilante. No entanto, a fonte não detalhou se haverá novos cortes na Selic nas próximas reuniões. Por fim, o mercado agora aguarda os próximos passos do Copom, que deve definir o rumo dos juros com base na evolução das projeções de inflação.

Fonte

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