Ícone do site Imóveis em Alta

IA consciente: o que dizem os estudos científicos

IA consciente: o que dizem os estudos científicos

Crédito: exame.com

O cinema passou décadas imaginando o momento em que uma máquina finalmente “acordaria” — de HAL 9000, em “2001: Uma Odisseia no Espaço”, à Samantha, de “Ela”. Agora, a pergunta sobre a IA se tornar consciente saiu da ficção e entrou nos laboratórios. Dessa forma, cientistas de verdade estão levando a sério a possibilidade de IA consciente pela primeira vez.

Novo olhar sobre a consciência

O avanço não está em uma resposta, mas na forma de perguntar. Pesquisadores passaram a construir métodos para medir indícios de consciência em IA. O trabalho mais influente da área foi publicado na revista Trends in Cognitive Sciences, do grupo editorial Cell Press. O estudo reuniu 19 pesquisadores de consciência de instituições como a Universidade de Oxford e o Instituto de Tecnologia de Montreal (Mila). Entre os autores está Yoshua Bengio, um dos pioneiros do aprendizado profundo.

Indicadores de consciência

O grupo reuniu as principais teorias neurocientíficas sobre consciência e extraiu de cada uma “indicadores”. Nenhum indicador isolado prova nada, mas quanto mais indicadores de teorias diferentes um sistema cumpre, maior a chance de que possa ser consciente. Segundo o estudo, nenhum sistema de IA atual satisfaz os indicadores a ponto de ser considerado consciente. No entanto, não há nenhuma barreira técnica óbvia que impeça sistemas futuros de vir a satisfazer os indicadores.

Teorias em disputa

Teoria do espaço de trabalho global

Uma das principais teorias é a do espaço de trabalho global, formulada por Bernard Baars e desenvolvida por Stanislas Dehaene.

Teoria da informação integrada

Outra abordagem influente é a teoria da informação integrada, proposta pelo neurocientista Giulio Tononi, da Universidade de Wisconsin-Madison. Essas teorias oferecem critérios distintos para avaliar a consciência.

Descobertas da Anthropic

A Anthropic, criadora do Claude, afirmou ter encontrado dentro de seu modelo um “espaço mental” interno. Os experimentos da Anthropic não mostram que o Claude sinta ou tenha experiências como um humano. A distinção feita pela Anthropic é entre consciência fenomenal e acesso consciente.

Desafios e divergências

Uma corrente argumenta que a consciência pode depender do substrato biológico, de estar num cérebro de carne, e não de silício. Os resultados do Cogitate Consortium, publicados na revista Nature em abril de 2025, não confirmaram plenamente nenhuma das teorias dominantes. Grupos de pesquisa e empresas começaram a estudar o chamado “bem-estar de modelos”.

O debate sobre IA consciente está longe de um consenso. Enquanto isso, a ciência segue refinando suas perguntas e métodos.

Fonte

Sair da versão mobile