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HIV alterou gene humano em tempo recorde, aponta estudo

HIV alterou gene humano em tempo recorde, aponta estudo

Crédito: exame.com

Evolução acelerada pelo HIV

Um estudo conduzido na província de KwaZulu-Natal, na África do Sul, mostra que a epidemia de HIV provocou mudanças mensuráveis no genoma humano em pouco mais de uma década. A pesquisa indica que, antes da ampla adoção de terapias antirretrovirais, a doença alterou a frequência de genes ligados ao sistema imunológico na população local. Os resultados foram publicados na Proceedings of the National Academy of Sciences.

A análise se baseou em amostras de sangue coletadas entre 1998 e 2025 de cerca de 1.600 mães e mais de 400 bebês na região mais afetada pela epidemia na África do Sul. O país concentra cerca de 20% das pessoas vivendo com HIV no mundo, o que torna a região um laboratório natural para estudos evolutivos.

Genes HLA em foco

O estudo acompanhou variações em genes HLA, fundamentais para a resposta imunológica. Esses genes são responsáveis por codificar proteínas que ajudam o sistema imunológico a reconhecer patógenos. A proporção de pessoas com variantes genéticas consideradas mais suscetíveis caiu de 28% em 1990 para 25% em 2004. Já os alelos classificados como protetores aumentaram de 23% para 27% no mesmo período.

Indivíduos com maior capacidade de resposta ao vírus tiveram mais chances de sobreviver e transmitir esses genes, o que explica a mudança na frequência. Esse processo evolutivo, no entanto, desacelerou com a expansão dos tratamentos antirretrovirais, que hoje alcançam cerca de 80% dos pacientes na África do Sul.

Projeções para o futuro

As projeções indicam que, até 2035, a presença de alelos suscetíveis deve cair para cerca de 22%, enquanto os alelos protetores devem atingir aproximadamente 32%. Sem o acesso aos medicamentos, a tendência seria mais acentuada, com queda maior dos genes desfavoráveis e aumento mais expressivo dos protetores.

Outras doenças infecciosas, como malária e tuberculose, também moldaram o genoma humano ao longo da história. O diferencial deste estudo está na velocidade com que as mudanças foram observadas – algo raro em termos evolutivos.

Equilíbrio genético

Especialistas afirmam que, no longo prazo, fatores como migração e diversidade genética tendem a equilibrar essas variações. Além disso, genes considerados desfavoráveis no contexto do HIV podem ter vantagens em relação a outras doenças, o que impede uma eliminação completa. O estudo reforça como pressões ambientais, como epidemias, podem deixar marcas no DNA humano em tempo real.

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