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Guerra no Irã eleva fertilizantes 50%, ameaça produção global de

Guerra no Irã eleva fertilizantes 50%, ameaça produção global de

Crédito: valor.globo.com

A guerra no Irã desencadeou uma crise no mercado global de fertilizantes, com preços subindo cerca de 50% e ameaçando a produção de alimentos em todo o mundo. O conflito fechou efetivamente o Estreito de Ormuz, interrompendo o transporte de fertilizantes derivados de gás natural do Oriente Médio, uma região crucial para o abastecimento mundial. Essa situação já começa a refletir nos preços de commodities agrícolas, elevando preocupações sobre segurança alimentar.

Impacto imediato nos preços dos fertilizantes

O índice geral de preços de fertilizantes, com ano-base em 2010, chegou a 183 pontos. Esse valor representa um aumento significativo de 38 pontos em relação ao registrado em fevereiro, evidenciando a pressão inflacionária causada pela guerra.

A alta reflete a interrupção abrupta das cadeias de suprimento, que dependem fortemente da região do Golfo. Além disso, os preços internacionais do trigo e dos óleos vegetais já começaram a subir, sinalizando um efeito cascata na economia global.

Como o conflito afeta a produção de fertilizantes

A ureia e a amônia, dois fertilizantes essenciais, são produzidas pela extração de hidrogênio do gás natural e sua síntese com nitrogênio da atmosfera. Os países do Golfo, como Qatar, Arábia Saudita e Omã, são grandes exportadores desses produtos.

Dependência global do Oriente Médio

Esses países respondem por 30% a 35% das exportações globais de ureia e por 20% a 30% das vendas mundiais de amônia. Por outro lado, o transporte de fertilizantes pelo Estreito de Ormuz foi praticamente paralisado devido ao conflito, criando um gargalo crítico.

Paralisia no corredor estratégico do Estreito de Ormuz

Uma fábrica de ureia no Qatar interrompeu a produção após ataques retaliatórios do Irã, exemplificando como a instabilidade se espalha pela região. O fechamento efetivo do Estreito de Ormuz impede que grandes volumes de fertilizantes alcancem os mercados internacionais.

Essa rota é vital para escoar a produção do Oriente Médio, que domina parte significativa do comércio global. Consequentemente, a oferta restrita pressiona os preços para cima, afetando agricultores em diversos continentes.

Outros fertilizantes também sob pressão

O fornecimento de fertilizantes à base de ácido fosfórico está se tornando mais restrito, ampliando a crise. O minério de fosfato é produzido na China, Marrocos, Jordânia e outros países, mas seu processamento depende do ácido sulfúrico.

Cadeia de suprimentos interrompida

Esse ácido, por sua vez, utiliza enxofre proveniente dos países do Golfo. Aproximadamente 50% do comércio global de enxofre é exportado através do Estreito de Ormuz, agora bloqueado. Assim, mesmo produtos não diretamente ligados ao gás natural enfrentam escassez.

Preços em alta constante dos fertilizantes

O preço internacional do fosfato e do fosfato diamônio nitrogenado subiu 5% de fevereiro para março, agravando a tendência de alta. Esses valores vêm subindo desde a primavera do ano passado devido às restrições de exportação da China, que já tensionavam o mercado.

A guerra no Irã adicionou um novo fator de pressão, acelerando a escalada de custos. Em contraste, não existem reservas estratégicas de fertilizantes coordenadas internacionalmente para mitigar a crise, deixando os países vulneráveis.

Exceções e estoques limitados de fertilizantes

O Japão não depende de fertilizantes do Oriente Médio, sendo uma exceção na crise atual. O país mantém estoques de fosfato diamônio e cloreto de potássio equivalentes a três meses de demanda anual, o que oferece alguma proteção temporária.

No entanto, essa situação é atípica, pois a maioria das nações não possui reservas significativas. A falta de coordenação global dificulta uma resposta eficaz ao desabastecimento, aumentando os riscos para a segurança alimentar.

O que esperar do futuro do mercado de fertilizantes

A combinação de fatores—guerra, bloqueio logístico e dependência regional—cria um cenário complexo para o mercado de fertilizantes. A interrupção prolongada no Estreito de Ormuz pode levar a aumentos ainda mais acentuados nos preços, afetando diretamente a produção agrícola.

Agricultores em todo o mundo podem enfrentar custos mais altos, reduzindo a rentabilidade e possivelmente a oferta de alimentos. Enquanto isso, a comunidade internacional observa atentamente, sem mecanismos imediatos para estabilizar a situação.

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