O governo federal anunciou nesta segunda-feira, 6, um aumento no preço dos cigarros como contrapartida fiscal à redução de tributos sobre o querosene de aviação. A decisão, formalizada por meio de alterações no Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), visa equilibrar as contas públicas após a isenção de contribuições sobre o combustível utilizado pela aviação civil.
A medida integra um pacote mais amplo de ações voltadas ao setor de combustíveis, em um contexto de alta internacional dos preços do petróleo.
Como funciona o ajuste tributário
A alíquota do IPI aplicada aos cigarros foi elevada de 2,25% para 3,5%. Com a mudança, o preço mínimo do maço de cigarros será ajustado de R$ 6,50 para R$ 7,50.
Estimativa de arrecadação
A equipe econômica projeta que o reforço de arrecadação ocorrerá no curto prazo, com uma estimativa oficial de R$ 1,2 bilhão em dois meses.
Objetivo da medida
A elevação do tributo sobre os produtos de tabaco tem como objetivo direto compensar a redução tributária sobre o querosene de aviação (QAV). Além disso, a medida busca equilibrar o impacto fiscal da decisão de zerar o PIS/Cofins sobre o combustível aéreo.
A redução dessas contribuições sobre o QAV foi formalizada por decreto nesta segunda-feira, 6. Esse movimento faz parte de um conjunto de ações voltadas ao setor de combustíveis, ampliando subsídios em um cenário de tensões no Oriente Médio que influenciam os preços internacionais.
Dessa forma, o governo tenta conter pressões inflacionárias sem comprometer totalmente a arrecadação.
O contexto do setor de combustíveis
O pacote de medidas anunciado inclui uma subvenção de R$ 0,80 por litro de diesel produzido no Brasil, criada por uma medida provisória assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Subsídios ao diesel
- A nova subvenção será custeada integralmente pela União, com impacto estimado em até R$ 3 bilhões por mês.
- Ela se soma a um subsídio anterior de R$ 0,32 por litro já em vigor, ampliando o apoio ao combustível.
Compensação para diesel importado
No caso do diesel importado, o governo estruturou uma compensação que pode chegar a R$ 1,20 por litro, dividida entre União e estados. O custo combinado dessas políticas pode ultrapassar R$ 4 bilhões em dois meses apenas para a importação.
Essas ações refletem a preocupação com a estabilidade de preços em um período de volatilidade no mercado internacional de derivados de petróleo.
Linhas de crédito para o setor aéreo
Por outro lado, a medida provisória também abre espaço para linhas de crédito ao setor aéreo, com potencial de até R$ 9 bilhões. Essas linhas incluem recursos do Fundo Nacional de Aviação Civil (FNAC) e têm como objetivo mitigar o impacto do aumento do querosene de aviação, que também teve tributos federais zerados.
Assim, o governo busca aliviar a pressão sobre as companhias aéreas enquanto mantém incentivos ao consumo.
Histórico e projeções da medida
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que houve uma majoração do IPI sobre cigarros no passado que não teve o efeito esperado. A declaração sugere um aprendizado com experiências anteriores na tentativa de usar a tributação sobre tabaco como instrumento de política fiscal.
Expectativas de arrecadação
A expectativa agora é que o aumento atual gere a receita adicional projetada, ajudando a cobrir parte dos subsídios concedidos. A estimativa de arrecadação de R$ 1,2 bilhão em dois meses indica uma aposta no curto prazo para reforçar os cofres públicos.
Em contraste, os custos com subsídios ao diesel e compensações importam valores significativamente maiores, evidenciando o desafio fiscal. A estratégia parece ser a de usar uma fonte de receita imediata para financiar medidas de alívio setorial consideradas prioritárias.
Lacunas de informação
Vale ressaltar que a fonte não detalhou como será a distribuição do aumento de preço ao longo da cadeia do tabaco. Também não há informações sobre eventuais ajustes em outros tributos ou impactos de longo prazo no consumo.
O foco, por ora, está no equilíbrio fiscal imediato diante das concessões ao setor de combustíveis.
O que esperar dos próximos passos
A formalização da redução tributária sobre o querosene de aviação por decreto marca o início da implementação das medidas. As linhas de crédito ao setor aéreo, por sua vez, dependem de regulamentação para que os recursos do FNAC sejam efetivamente disponibilizados.
Implementação e prazos
O sucesso do pacote, portanto, está atrelado à agilidade na operacionalização dessas ações. O aumento do preço mínimo do maço de cigarros para R$ 7,50 deve começar a impactar o mercado em breve, embora a fonte não detalhe prazos exatos.
Paralelamente, a subvenção ao diesel e as compensações para importação já estão em vigor, com custos mensais projetados. Cabe aos agentes econômicos se adaptarem às novas regras tributárias e de preços.
Monitoramento dos resultados
Por fim, o governo monitorará os resultados da elevação do IPI sobre cigarros para verificar se a arrecadação adicional se concretiza. A experiência passada, citada pelo ministro, serve como alerta para possíveis desvios entre projeção e realização.
O equilíbrio entre alívio setorial e sustentabilidade fiscal continuará a guiar as decisões nos próximos meses.

