O senador Flávio Bolsonaro (PL) participou de um evento do Partido Liberal na noite de sábado (20) em São Paulo e prometeu adotar uma postura radical na área de segurança pública, caso seja eleito. A declaração ocorreu durante o lançamento de sua pré-candidatura ao governo do estado, em um ato que contou com a presença de lideranças nacionais e estaduais da sigla. Flávio também utilizou inteligência artificial para recriar a voz do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, em um momento que gerou grande repercussão entre os presentes.
Mudança de discurso e ataques a Lula
Antes de ser ligado ao escândalo do Banco Master, Flávio evitava se apresentar como alguém radical e dizia que era um “Bolsonaro moderado”. No entanto, no evento deste sábado, ele adotou um tom mais duro, especialmente ao criticar o governo federal. Em seu discurso, o senador afirmou: “O filho do Lula sumiu do Brasil, recebeu mesada do Careca do INSS. O dinheiro do aposentado brasileiro pode estar na conta dele lá na Europa”. A declaração faz referência a investigações da Polícia Federal sobre supostos pagamentos do empresário conhecido como Careca a Lulinha, filho do presidente Lula. A PF, no entanto, não encontrou provas de repasses ao filho de Lula, conforme apurou a investigação do escândalo do INSS.
Flávio também ironizou a declaração recente do presidente Lula, que chamou o jogador Neymar de “jogador home office”. O senador vestia uma camiseta da seleção brasileira com o nome do atacante, em um gesto de apoio ao jogador e de crítica ao petista. Apesar do tom combativo, o senador deixou o evento sem falar com a imprensa, encerrando sua participação de forma abrupta.
Evento lotado e presença de lideranças
O Espaço Inter, local do evento, tem capacidade para 7.000 pessoas e estava praticamente lotado. Lideranças nacionais do PL, como o deputado federal Sóstenes Cavalcanti, o senador Rogério Marinho e o presidente Valdemar Costa Neto, compareceram, além das bancadas estaduais e federais do partido. A presença maciça de filiados e apoiadores demonstra a força da legenda no estado, que busca consolidar alianças para as eleições de 2026.
O ex-governador Rodrigo Garcia (Republicanos), derrotado por Tarcísio de Freitas em 2022 e que depois se aproximou do atual governador, também discursou a favor de André e Flávio. Ele criticou o governo Lula: “Nosso país não pode mais continuar nas mãos do PT”. A fala de Garcia reforça a união da oposição em torno dos candidatos do PL no estado.
Apoio de Eduardo Bolsonaro e acordo político
O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL), condenado a 4 anos e 2 meses de reclusão por tentar interferir no processo sobre a tentativa de golpe, apareceu em um vídeo para endossar a candidatura de André do Prado ao Senado. Até 2025, o acordo negociado por PL, Republicanos, PP, PSD e União Brasil era que Eduardo concorresse ao Senado. Com a mudança dele para os Estados Unidos e a consequente perda de seu mandato, o filho do ex-presidente fez um acordo com André do Prado e lhe cedeu a vaga.
Eduardo estava cotado para ser suplente de André, mas agora está inelegível. O partido sustenta que manterá a candidatura, apesar da inelegibilidade, e não indicou ainda um substituto. A situação jurídica de Eduardo ainda é incerta, mas o PL segue com a estratégia de apoiar André como nome forte para o Senado.
Música de campanha e clima de festa
Uma das músicas de campanha exibidas no evento trouxe o “olê, olê, olá” de Lula, mas, no lugar do nome do presidente, dizia o nome do senador. A adaptação da canção foi recebida com entusiasmo pela plateia, que cantou junto e demonstrou apoio a Flávio. O clima de festa dominou o evento, que também contou com a presença de Renato Bolsonaro, irmão do ex-presidente, que deve concorrer à Assembleia Legislativa pelo PL. “O André é gente nossa e vai defender a anistia no Senado”, disse Renato, reforçando a pauta da anistia para os envolvidos nos atos de 8 de janeiro.
O evento marcou o início da campanha de Flávio Bolsonaro, que agora busca se consolidar como o nome da direita para o governo paulista. Com promessas de radicalidade na segurança pública e críticas contundentes ao governo Lula, o senador tenta se distanciar da imagem moderada que cultivou no passado e abraçar um discurso mais alinhado ao bolsonarismo raiz.

