A agência de classificação de risco Fitch realizou dois cortes consecutivos na nota de crédito da Raízen em um único dia. O rebaixamento foi de BBB- para CCC, considerado um movimento especialmente duro.
A decisão ocorreu após a empresa anunciar a contratação de assessores para estudar alternativas de reforço de caixa e reorganização de dívidas. A Fitch expressou preocupações crescentes com a saúde financeira da companhia.
Dois rebaixamentos em sete horas
Em cerca de sete horas, a Fitch executou dois rebaixamentos em sequência na classificação da Raízen:
- Pela manhã: a nota caiu de BBB- para B, ainda sob observação negativa
- No fim do dia: novo corte de B para CCC, agora sem a observação
O segundo movimento foi desencadeado por uma informação que não havia sido considerada na primeira decisão.
Gatilho do segundo corte
O anúncio de que a Raízen contratou assessores financeiros e jurídicos para estudar alternativas de reforçar o caixa e reorganizar suas dívidas foi o gatilho para a decisão final. Em comunicado, a Fitch explicou que o novo corte para ‘CCC’ veio depois dessa informação.
A agência destacou que as incertezas sobre os próximos passos da companhia e sobre a disposição dos acionistas — Cosan e Shell — em oferecer suporte financeiro já pesavam sobre a avaliação. Essa situação levou a uma reavaliação imediata e mais severa.
Risco de crédito considerado substancial
Com a classificação em ‘CCC’, a Fitch afirma que o risco de crédito é substancial. A agência avalia que um calote ou algum processo semelhante à inadimplência passou a ser uma possibilidade real.
Essa perspectiva negativa se soma ao cenário de endividamento elevado da empresa, que enfrenta desafios para gerenciar suas obrigações financeiras.
Impacto nos títulos de dívida
Os títulos de dívida da Raízen, tanto no Brasil quanto no exterior, têm visto uma queda acentuada nos últimos dias. Esse movimento no mercado reflete a preocupação dos investidores com a capacidade da companhia de honrar seus compromissos.
A deterioração da confiança ocorre em um momento de transição na governança corporativa, o que adiciona mais complexidade ao quadro.
Dívida líquida salta quase 50%
A dívida líquida da companhia chegou a R$ 53,4 bilhões no segundo trimestre da safra 2025/26. Esse valor representa um salto de 48,8% em relação ao mesmo período do ano anterior.
O aumento significativo das obrigações financeiras pressiona o caixa da empresa e limita sua flexibilidade operacional.
Mudanças na governança corporativa
Enquanto isso, a empresa atravessa mudanças relevantes no conselho de administração:
- No fim de janeiro: renúncia de Brian Paul Eggleston
- Substituição: a acionista Shell indicou Jorrit Jan Witte Van Der Togt
- Menos de uma semana depois: saída de Sonat Burman-Olsson
A companhia disse que ainda informará ao mercado sobre a nova nomeação, mantendo um cenário de transição na liderança.
Contexto anterior de avaliações de risco
Antes da ação da Fitch, outras agências já haviam revisado suas avaliações sobre a Raízen:
- Em novembro do ano passado: Moody’s atribuiu rating de crédito corporativo familiar (CFR) Ba1 à Raízen
- No mesmo mês: Moody’s retirou os ratings de emissor de longo prazo Baa3 da Raízen S.A. e da Raízen Energia
Esses movimentos anteriores já sinalizavam uma percepção de risco crescente em relação à saúde financeira da empresa.
Intensificação da tendência negativa
O rebaixamento duplo da Fitch em um único dia intensifica essa tendência negativa. A rapidez e a severidade dos cortes destacam a urgência das preocupações com a situação da companhia.
As incertezas sobre o plano de reestruturação e o apoio dos acionistas continuam a pairar sobre o futuro da Raízen. O mercado acompanha de perto os próximos desdobramentos.

