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Estreito de Ormuz: segurança energética global sob risco, alerta AIE

Estreito de Ormuz: segurança energética global sob risco, alerta AIE

Crédito: valor.globo.com

O diretor-executivo da Agência Internacional de Energia (AIE), Fatih Birol, afirmou, nesta terça-feira (21), que o mundo deve se preocupar com a segurança energética se o fluxo de petróleo pelo Estreito de Ormuz não for restabelecido em breve. O estreito está bloqueado desde o início do conflito, em 28 de fevereiro, e antes da guerra passava por ali cerca de 20% das remessas mundiais de energia. Birol destacou que a Ásia recebia de 80% a 90% da energia pelo estreito, afetando especialmente países como Japão, Coreia do Sul, Paquistão, Bangladesh e Índia.

Bloqueio histórico e impacto global

O Estreito de Ormuz está em grande parte bloqueado desde o início do conflito, em 28 de fevereiro. Antes da guerra, cerca de 20% das remessas mundiais de energia passavam por essa rota estratégica. Birol já classificou a guerra no Oriente Médio como o maior choque de fornecimento de energia da história. O bloqueio compromete não apenas o fluxo de petróleo, mas também de gás natural liquefeito, essencial para diversos países.

Preocupação com as próximas semanas

Birol afirmou: ‘Devemos estar preocupados, e eu estou preocupado, se a situação não melhorar nas próximas semanas.’ Ele destacou que as soluções adotadas até o momento não vão ‘durar para sempre’. A AIE tem monitorado de perto os estoques estratégicos e a capacidade de produção dos países membros. A dependência do Estreito de Ormuz é tão grande que qualquer interrupção prolongada pode gerar consequências severas.

Produção dos EUA não é suficiente

Birol anunciou que o aumento da produção nos EUA contribuiu para a situação, mas ressaltou que os EUA são o maior produtor mundial de petróleo e gás. No entanto, ele ponderou: ‘Os EUA podem elevar a produção em 1 milhão ou 2 milhões [de barris por dia], mas não em 10 milhões.’ Isso significa que, mesmo com o aumento da produção americana, não é possível substituir completamente o volume que passava pelo Estreito de Ormuz. A capacidade ociosa global é limitada.

Impacto desigual sobre as economias

Segundo Birol, a crise no fornecimento de petróleo e gás prejudicou economias em todo o mundo, mas de forma desigual. A Ásia recebia de 80% a 90% da energia pelo Estreito de Ormuz, o que torna a região particularmente vulnerável. Japão e Coreia do Sul foram afetados pela crise, assim como países em desenvolvimento, incluindo Paquistão, Bangladesh e Índia. Esses países sofreram os impactos mais severos, com aumento de custos e escassez de combustíveis.

Medidas da AIE e liberação de estoques

A AIE representa mais de 30 países e, em março, coordenou a liberação de estoques estratégicos para conter a alta dos preços. Os preços do petróleo caíram cerca de US$ 20 por barril após essa medida. Birol disse sobre a liberação de até 400 milhões de barris: ‘Embora tenha sido uma medida enorme, isso representou apenas 20% dos estoques que temos; os outros 80% continuam guardados.’ A ação mostrou a capacidade de resposta da agência, mas também evidenciou que os estoques não são infinitos.

Perspectivas futuras

Birol reiterou que a segurança do abastecimento de petróleo continua sendo uma questão crítica. O mundo depende de soluções diplomáticas para reabrir o Estreito de Ormuz e evitar um colapso energético. Enquanto isso, países afetados buscam alternativas, como aumento de importações de outras regiões e aceleração de fontes renováveis. A AIE continuará monitorando a situação e avaliando novas medidas para mitigar os riscos.

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