Queda acentuada do dólar no final do pregão
O dólar comercial registrou queda expressiva na reta final do pregão desta terça-feira (27). A moeda norte-americana fechou com desvalorização de 1,38% frente ao real, cotada a R$ 5,2067.
Esse é o menor patamar desde maio de 2024. Durante a tarde, a divisa operou abaixo da barreira psicológica de R$ 5,20, rompendo definitivamente esse piso na última hora.
A mínima diária foi de R$ 5,1987. O movimento contrasta com a valorização de 2,89% registrada em dezembro, marcando virada no cenário cambial recente.
Declarações de Trump influenciam mercado
Comentários sobre câmbio
Um dos fatores citados para a desvalorização foram declarações do ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Ele afirmou que o câmbio está em “ótimo nível”.
Essa postura pode influenciar as expectativas do mercado. O gestor Luis Stuhlberger comentou que Trump fará “o possível e imaginável para o dólar se desvalorizar”.
Contexto internacional do dólar
As falas ocorrem em contexto específico. O índice DXY, que mede a força do dólar frente a outras moedas, tocou seu menor patamar desde fevereiro de 2022.
Isso indica fraqueza mais ampla da divisa norte-americana no cenário global.
Fluxo de capital para mercados emergentes
O real brasileiro se beneficiou de movimento global de recursos. Segundo a analista Paula Zogbi, o dólar operou em forte queda frente ao real.
Isso foi impulsionado por dois fatores principais:
- Diferencial de juros
- Fluxo de capital para economias emergentes
O cenário é corroborado pela diminuição da exposição a ativos norte-americanos. Essa tendência continua a favorecer moedas e bolsas de países em desenvolvimento.
Desempenho comparativo em janeiro
Em janeiro, vários mercados emergentes registraram altas expressivas:
- Colômbia: 24% em dólar
- Brasil: 15%
- Chile: 14%
- México: 10%
Esse desempenho foi superior ao do índice S&P 500, que ganhou apenas 1% no período.
Bolsa brasileira atinge novo recorde histórico
Enquanto o dólar caía, o mercado acionário brasileiro apresentou desempenho robusto. O Ibovespa encerrou o dia com alta de 1,79%, aos 181.919,13 pontos.
Mais significativamente, o indicador atingiu nova marca histórica durante o pregão. Ultrapassou a barreira dos 183 mil pontos.
Esse avanço foi alimentado pelo fluxo de recursos estrangeiros para a bolsa brasileira. O dia também registrou alta de mais de 2% nas cotações do petróleo.
O cenário sugere apetite por risco e busca por retornos em mercados considerados atrativos.
Contexto internacional e desempenho anual
Índices norte-americanos
No cenário internacional, os índices norte-americanos apresentaram desempenhos mistos:
- S&P 500: registrou seu maior valor histórico no pregão
- Dow Jones: fechou em queda de 0,83%, aos 49.003,41 pontos
- Nasdaq: teve alta de 0,91%, aos 23.817,10 pontos
Riscos e tendências
Paralelamente, o impasse orçamentário nos Estados Unidos traz de volta risco de nova paralisação da máquina pública. O chamado shutdown pode adicionar volatilidade aos mercados.
No acumulado de 2025, a divisa norte-americana recuou 11,18% frente ao real. Essa é sua maior baixa anual desde 2016.
Em janeiro, a queda foi de 5,14%, consolidando tendência de desvalorização.
Dados locais e perspectivas
No front doméstico, o IPCA-15 avançou 0,20% em janeiro. O índice mede a prévia da inflação oficial e ficou abaixo das expectativas do mercado.
Esse dado pode influenciar decisões de política monetária no futuro. A fonte não detalhou projeções específicas sobre esse impacto.
A combinação de fatores cria ambiente financeiro distinto:
- Dólar mais fraco
- Fluxos de capital positivos
- Mercado acionário em alta
As próximas sessões devem monitorar continuidade desses movimentos. Especial atenção será dada a declarações de figuras políticas e evolução do cenário orçamentário internacional.

