O dólar à vista fechou em R$ 4,9821, recuo de 0,32%. O movimento recente de queda levou o Banco Inter a revisar suas projeções para o câmbio em 2026, de R$ 5,40 para R$ 5,10. A mudança, segundo os economistas Rafaela Vitória e André Valério, reflete o enfraquecimento global do dólar e a melhora nos termos de troca da balança comercial brasileira.
Motivos da revisão cambial
Petróleo elevado e superávit comercial
O petróleo em níveis elevados favorece países exportadores como o Brasil. Atualmente, o petróleo está acima de US$ 100, o que contribui para um superávit comercial robusto. A expectativa é de um superávit acima de US$ 80 bilhões em 2026. Esse cenário positivo para as contas externas ajuda a sustentar a moeda brasileira.
Desaceleração econômica nos EUA
Além disso, nos Estados Unidos, as estimativas para o crescimento do PIB no primeiro trimestre recuaram de 3,1% para 1,2%. Esse arrefecimento da economia americana pressiona o dólar globalmente, beneficiando moedas como o real.
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Inflação e juros no Brasil
IPCA e Selic
O Banco Inter elevou a projeção para o IPCA de 2026, de 4,3% para 4,9%. A expectativa é de mais um corte de 0,25 ponto percentual na Selic, para 14,50%, na quarta-feira (29). O Inter projeta que a taxa básica encerre 2026 em 12,75%.
CPI de março
Em março, o CPI subiu 0,9%, puxado pelos combustíveis. A gasolina avançou mais de 21% em março. O núcleo da inflação teve alta de 0,2% em março. Esses dados indicam pressões inflacionárias que podem influenciar a política monetária.
Cenário fiscal e dívida pública
A projeção é de déficit primário de 0,7% do PIB em 2026. O déficit nominal deve alcançar 9% do PIB em 2026. A dívida bruta pode chegar a 83% do PIB. Esses indicadores fiscais preocupam, mas o superávit comercial elevado ajuda a compensar parcialmente os desequilíbrios.
Política monetária nos EUA
O mercado aposta que na quarta-feira (29) haverá a manutenção dos juros pelo Fed na faixa entre 3,50% e 3,75%. O Inter vê o Fed parado pelo menos até junho. A postura cautelosa do banco central americano também influencia o câmbio e os fluxos de capital.
Perspectivas para o crescimento
O Inter manteve a projeção de crescimento do PIB brasileiro em 1,8%. Apesar das incertezas fiscais e externas, a economia brasileira deve manter um ritmo moderado de expansão, sustentado pelo agronegócio e pelas exportações.
Em resumo, a revisão do dólar para baixo reflete uma combinação de fatores externos e internos. O enfraquecimento global da moeda americana, os altos preços do petróleo e o superávit comercial robusto são os principais pilares. No entanto, a inflação elevada e os desafios fiscais impõem limites à queda da moeda. O mercado acompanha de perto as decisões do Copom e do Fed para calibrar as expectativas.
Fonte
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