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Dólar Argentina 2025: o que esperar para sua viagem

Dólar Argentina 2025: o que esperar para sua viagem

Crédito: www.seudinheiro.com

Viajar para a Argentina exige atenção ao câmbio. Para os analistas Andres Borenstein e Sofia Ordonez, do BTG Pactual, “o dólar deve permanecer relativamente quieto nas próximas semanas”. A expectativa é de que a moeda norte-americana suba, mas de forma moderada — “no máximo abaixo ou na linha da inflação”. O cenário de curto prazo é favorável ao viajante brasileiro, mas o horizonte já mostra sinais de pressão.

Superávit gêmeo sustenta o câmbio

A Argentina vive uma situação rara: tanto a conta corrente quanto a conta financeira estão superavitárias. Em abril, o saldo da conta corrente foi positivo em US$ 1,33 bilhão — o melhor resultado desde setembro do ano passado. Esse colchão de dólares vem de dois motores principais: as exportações agrícolas e de energia, que têm batido recordes, e o fluxo de empréstimos em dólar no sistema financeiro local. “Não há razão para acreditar que esse fluxo vai parar, dada a alta liquidez no mercado local de dólares”, diz a dupla de analistas. O setor de energia aparece como “outro fator indicando que o fluxo de dólares vai permanecer generoso”.

Vídeo: YouTube | Fonte: www.seudinheiro.com

Projeções para o segundo semestre

O BTG projeta que “no segundo semestre, o dólar vai retomar algum dinamismo” — e o banco central deverá reduzir o ritmo de compras de moeda estrangeira. Pelos cálculos do banco, se o dólar fechar o ano em 1.700 pesos argentinos, isso representaria uma alta de 2,7% ao mês nos próximos sete meses. Se fechar em 1.650, a alta mensal seria de 2,27%. Em ambos os cenários, a valorização supera a inflação projetada para o período — ou seja, o peso argentino perde poder de compra para quem carrega reais ou dólares. Para o viajante brasileiro, isso significa que o custo da viagem pode aumentar gradualmente.

Risco eleitoral e dolarização

Os analistas fazem um alerta importante para o segundo semestre: as eleições na Argentina, marcadas para 2027. “Quanto mais cedo o ruído eleitoral começar, mais arriscada fica nossa premissa”, afirma a dupla, referindo-se à expectativa de que os argentinos mantenham suas poupanças em pesos para aproveitar as altas taxas de juros reais. A chamada dolarização — o hábito do argentino de correr para o dólar em momentos de incerteza — é apontada como uma das principais variáveis imprevisíveis para o câmbio. “Há um fluxo permanente de pessoas que vão poupar parte de sua renda em dólares. Isso significa que, mesmo no melhor cenário, precisamos assumir dolarização, pois ela faz parte do DNA argentino”, afirmam os analistas.

Carry trade no limite

Os analistas do BTG trazem um recado direto: a estratégia de carry trade — tomar dólares emprestados para aplicar em pesos a juros altos — “pode ter um pouco mais de fôlego, mas está operando no limite do tempo”. Com títulos de curto prazo indexados à inflação todos com juros negativos, o espaço para ganhos está se estreitando, segundo a dupla. Isso reduz o apetite por operações especulativas que poderiam segurar o dólar.

O que esperar para a viagem

Para o viajante brasileiro, o cenário de curto prazo é relativamente favorável: câmbio estável, inflação ainda sob controle e um banco central ativo comprando dólares. O segundo semestre combina pressão cambial, incerteza eleitoral e uma tendência de dólar mais forte — o que pode encarecer a experiência portenha de forma relevante. Quem planeja visitar a Argentina nos próximos meses deve aproveitar a janela de estabilidade, mas ficar atento aos sinais de alta que podem surgir com a aproximação das eleições.

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