Protesto pacífico que se tornou violento
Um protesto contra os cortes de energia e a escassez de alimentos começou pacificamente na cidade de Morón na noite de sexta-feira. A situação mudou radicalmente na madrugada de sábado, quando a manifestação se tornou violenta.
Segundo o jornal Invasor, “o que inicialmente começou de forma pacífica, e após uma troca de palavras com as autoridades locais, transformou-se em atos de vandalismo contra a sede do Comitê Municipal do Partido”. Essa escalada de tensões marca um momento significativo no cenário político cubano.
Vídeos nas redes sociais
Vídeos que circularam nas redes sociais mostraram um grande incêndio e pessoas atirando pedras nas janelas de um prédio. Nas gravações, era possível ouvir vozes gritando “liberdade” ao fundo, indicando o tom antigovernamental do protesto.
A localização de um desses vídeos foi verificada em Morón, cidade que fica na costa norte de Cuba, a cerca de 400 km a leste da capital Havana, próximo ao balneário turístico de Cayo Coco. Essas imagens documentam a intensidade dos confrontos.
Ataque direto à sede partidária
Manifestantes antigovernamentais atacaram um escritório do Partido Comunista no centro de Cuba na madrugada deste sábado. Um grupo menor de pessoas apedrejou a entrada do prédio e ateou fogo na rua com móveis da área de recepção.
Além disso, vândalos atacaram vários outros estabelecimentos estatais na área, incluindo:
- Uma farmácia
- Um mercado governamental
Essas ações ampliaram o alcance da destruição.
Divergência sobre ferimentos
Em um vídeo que circula nas redes sociais, ouve-se um disparo e a câmera foca em uma pessoa caída no chão. No entanto, o veículo de comunicação estatal Vanguardia de Cuba desmentiu as notícias online de que a pessoa caída no chão teria sido baleada pela polícia.
O jornal afirmou: “A imagem que circula mostra a cena do protesto, mas é importante que o público saiba a verdade: ninguém ficou ferido por disparos”. Essa divergência de informações sobre ferimentos permanece sem esclarecimento oficial detalhado.
Resposta do governo cubano
O presidente cubano Miguel Díaz-Canel afirmou que a indignação com os prolongados cortes de energia era compreensível, mas alertou contra a violência. Em declaração contundente, ele disse: “Não haverá impunidade para o vandalismo e a violência”.
Essa posição reflete a preocupação das autoridades com a manutenção da ordem pública em meio a protestos que desafiam a estabilidade do país.
Contexto legal e diplomático
O governo cubano afirmou na sexta-feira que havia iniciado conversas com Washington para tentar amenizar a crise. Essa movimentação diplomática ocorre em um contexto de pressão internacional crescente sobre a ilha caribenha.
Vale destacar que protestos públicos, especialmente os violentos, são extremamente raros em Cuba, onde a Constituição de 2019 garante aos cidadãos o direito de manifestação, mas com limites claros estabelecidos pelas autoridades.
Contexto de pressão internacional
Os Estados Unidos intensificaram a pressão sobre Cuba desde a captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro em janeiro. O presidente dos EUA, Donald Trump, cortou as exportações de petróleo venezuelano para Cuba e ameaçou impor tarifas a qualquer país que venda petróleo para Cuba.
Essas medidas econômicas têm impactado diretamente o abastecimento energético da ilha.
Declarações recentes de Trump
Nas últimas semanas, Trump fez uma série de declarações dizendo que Cuba estava à beira do colapso ou ansiosa para fechar um acordo com os Estados Unidos. Essas afirmações ocorrem paralelamente às conversas iniciadas entre Havana e Washington, indicando um momento de negociação tensa entre os dois países.
A crise energética em Cuba, portanto, não se limita a fatores internos, mas está inserida em um complexo cenário geopolítico.
Conclusão
Os eventos em Morón representam um desafio significativo para o governo cubano, que precisa equilibrar a resposta à insatisfação popular com a manutenção da estabilidade política.
Enquanto isso, a população local continua enfrentando dificuldades diárias com os cortes de energia e a escassez de alimentos, fatores que alimentaram os protestos deste fim de semana.
