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Sinais no crédito privado que grandes gestores veem

Sinais no crédito privado que grandes gestores veem

Crédito: www.seudinheiro.com

O mercado de crédito privado brasileiro enfrenta um período de incertezas. Dados da Anbima mostram que a maior parte dos resgates no mês de abril veio da renda fixa, que registrou saída líquida de R$ 19,3 bilhões. Os fundos de crédito livre com maior duration perderam R$ 14,2 bilhões, enquanto os equivalentes de prazo mais curto atraíram R$ 8,2 bilhões. Para o investidor pessoa física, que frequentemente escolhe títulos de dívida pela isenção fiscal que por vezes eles oferecem, o cenário parece o de uma tempestade se formando.

O que é crédito privado?

Crédito privado é o empréstimo de CPF para CNPJ: em vez de emprestar para o governo, você empresta para empresas. Em troca do risco de crédito, você exige um prêmio: uma rentabilidade superior à do Tesouro Direto. Esses papéis são negociados em corretoras e podem ter retorno fixo, pós-fixado (atrelado ao CDI) ou híbrido (IPCA + uma taxa).

Principais instrumentos de crédito privado

Vídeo: YouTube | Fonte: www.seudinheiro.com

Visão dos especialistas

Frederico Maluf e Gianfranco Nardini são, respectivamente, CEO e sócio da ARZ Capital, especializada em crédito privado nacional e internacional. Segundo Maluf, as métricas acompanhadas pela ARZ não mostram sinal claro de deterioração, mas seguem monitorando. Para a dupla, o que o mercado está chamando de crise no crédito é, por ora, ruído. O mercado primário de debêntures opera em ritmo lento, com emissões canceladas em abril, o que reforça a cautela.

Lições do mercado americano

Depois de 2008, os bancos norte-americanos reduziram drasticamente o apetite para emprestar dinheiro a empresas de médio porte. Gestoras especializadas passaram a captar recursos de investidores e fazer o trabalho de originação e estruturação de crédito. O mercado de crédito privado norte-americano era avaliado em US$ 340 bilhões em 2011, com projeção de chegar a US$ 2,2 trilhões até 2027. Esse movimento mostra como o crédito privado pode crescer e se tornar relevante.

Sinais de alerta no horizonte

Segundo Nardini, alguns gestores aumentaram muito a exposição em empresas de software, com grandes casas tendo 24%, 25%, 26% do portfólio alocado em um único setor. O avanço da inteligência artificial (IA) gerou dúvidas sobre o futuro das empresas de software, batizado informalmente de “Armageddon do software”. Contratos de receita recorrente do setor de software passaram a ser questionados. Como consequência, os spreads se abriram entre 75 e 120 pontos-base em toda a indústria de crédito privado. Esse movimento indica que o mercado está precificando mais risco, mesmo que ainda não haja uma crise consolidada.

Para o investidor, o momento exige atenção redobrada. Acompanhar as métricas de crédito e entender os instrumentos disponíveis é essencial para navegar por esse cenário de ruídos e oportunidades.

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