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Cosan deixa NYSE: último pregão será em setembro

Cosan deixa NYSE: último pregão será em setembro

Crédito: www.seudinheiro.com

A Cosan (CSAN3) deu o primeiro passo para se despedir de Wall Street. A companhia notificou formalmente o mercado norte-americano sobre a intenção de deslistar voluntariamente suas American Depositary Shares (ADSs) da bolsa de Nova York (NYSE). A decisão, que integra um movimento mais amplo de simplificação da estrutura de capital, não afeta a negociação das ações ordinárias no Novo Mercado da B3.

O que muda para o investidor

Para quem acompanha a Cosan pela B3, a novidade não altera a rotina. As ações ordinárias continuarão negociadas no Novo Mercado da B3, sem qualquer impacto na liquidez do papel CSAN3. Já os investidores que possuem ADSs, cada uma equivalente a quatro ações ordinárias, precisarão ficar atentos ao cronograma de deslistagem.

A saída de Nova York faz parte de um movimento para simplificar e otimizar a estrutura de capital, reduzir custos e concentrar esforços nas frentes consideradas mais relevantes para o negócio. A empresa não informou se pretende listar seus ADSs em outra bolsa, o que sugere que a deslistagem pode ser definitiva, mas o cronograma ainda pode ser alterado.

Vídeo: YouTube | Fonte: www.seudinheiro.com

Passo a passo da deslistagem

O próximo passo está previsto para 8 de setembro de 2026, quando a Cosan pretende protocolar o Formulário 25 junto à SEC. Se o cronograma for cumprido, o último pregão dos ADSs da Cosan na NYSE será em 18 de setembro. As datas, no entanto, são estimativas e dependem do cumprimento das etapas necessárias para concluir o processo.

A Cosan afirmou que poderá adiar ou retirar os protocolos antes que produzam efeitos, assim como alterar seus planos relacionados à deslistagem. Ou seja, o calendário pode sofrer ajustes, mas a intenção de sair da bolsa norte-americana está mantida.

Compromissos com o mercado dos EUA

Mesmo após a saída da NYSE, a Cosan continuará registrada sob o U.S. Securities Exchange Act de 1934 e seguirá cumprindo as obrigações de divulgação previstas pela legislação dos Estados Unidos. Isso significa que a companhia manterá um padrão elevado de transparência com os investidores internacionais, mesmo sem ter seus papéis listados na bolsa.

A decisão de deslistar não implica em uma ruptura com o mercado de capitais norte-americano, mas sim em uma otimização de recursos. A empresa entende que a presença na NYSE, embora relevante, gerava custos que podem ser direcionados para áreas com maior retorno.

Saúde financeira e metas

Em paralelo à deslistagem, a Cosan divulgou indicadores financeiros que reforçam a estratégia de fortalecimento do balanço. A métrica de cobertura do serviço da dívida, que relaciona os dividendos recebidos das subsidiárias ao custo de servir a dívida da holding, estava em 0,2 vez no fim do primeiro semestre. Esse número, considerado baixo, reflete o momento de investimento do grupo.

A meta é levar o indicador para 0,8 vez a 1,2 vez até o fim de 2026, com dividendos recebidos entre R$ 1,3 bilhão e R$ 1,8 bilhão. Para isso, a companhia precisará de um esforço concentrado na geração de caixa das subsidiárias.

Fluxo de dividendos e projeções

A Cosan recebeu R$ 434 milhões em dividendos no primeiro semestre. Considerando o ponto médio do guidance, de R$ 1,55 bilhão, isso significa buscar mais R$ 1,1 bilhão na segunda metade do ano. Desse montante, R$ 586 milhões já viriam da venda de terras agrícolas da Radar. Restariam cerca de R$ 530 milhões a serem recebidos das demais subsidiárias.

Esses números mostram a dependência da holding em relação ao desempenho das controladas. A venda de ativos, como as terras da Radar, é uma das alavancas para atingir as metas. A companhia, no entanto, não detalhou quais outras subsidiárias contribuirão para o montante restante.

A saída da NYSE, portanto, não é um evento isolado, mas parte de uma reestruturação mais ampla que envolve disciplina financeira e foco no core business. O investidor deve acompanhar os próximos passos, que podem incluir novos anúncios sobre a alocação de capital.

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