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Mercado aposta em corte da Selic, mas Galípolo freia expectativas

IPCA-15 abaixo do esperado anima mercado

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) de junho subiu 0,41%, abaixo da expectativa de 0,44% do mercado. Em 12 meses, o indicador acumula alta de 4,80%. O resultado foi recebido com otimismo por analistas, que veem espaço para o Banco Central iniciar um ciclo de cortes na taxa Selic. Segundo Laís Costa, analista da Empiricus Research, o número cheio veio abaixo da mediana das expectativas e a composição do índice também foi positiva. “O qualitativo foi melhor”, afirmou. A melhora dos núcleos de inflação contribuiu para a reprecificação da curva de juros, aumentando a probabilidade de um corte já na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom).

Além do dado doméstico, o cenário externo também favorece a expectativa de corte. O índice de preços de gastos com consumo pessoal (PCE) dos Estados Unidos subiu 0,4% em maio, abaixo das projeções. “A curva de juros lá fora puxa para baixo, e isso ajuda muito. O Brasil não negocia em isolamento”, destacou Laís Costa. Para ela, a autoridade monetária está disposta a cortar: “Ele quer cortar e vai cortar”.

Vídeo: YouTube | Fonte: www.seudinheiro.com

Galípolo: ‘Não há sinalização’ para agosto

Apesar das expectativas do mercado, o diretor de Política Monetária do Banco Central, Gabriel Galípolo, foi enfático ao afirmar que não há qualquer sinalização sobre os próximos passos da política monetária. “Não tenho nenhum tipo de sinalização”, disse, reforçando que a decisão de agosto será baseada exclusivamente nas informações divulgadas ao longo dos próximos 40 dias. Galípolo também reiterou que o BC não pretende antecipar os próximos movimentos, mantendo a postura de não se comprometer com um calendário de cortes.

O diretor explicou que existe uma diferença entre tornar a comunicação mais clara e indicar previamente qual será a decisão do Copom. “Você pode ser mais claro no comunicado sem precisar comunicar o que você vai fazer”, afirmou. Ele reconheceu que houve um problema de comunicação após a reunião de junho, mas atribuiu o ruído ao excesso de informações. “A responsabilidade, se o parágrafo não conseguiu transmitir aquilo que queríamos em um espaço conciso, é absolutamente minha”, disse. Como alternativa, sugeriu manter os comunicados mais enxutos e deixar explicações adicionais para a ata da reunião.

BC eleva projeção de estouro da meta de inflação

Em meio ao debate sobre o início do ciclo de cortes, o Banco Central elevou para 79% a probabilidade de estouro do teto da meta de inflação. Ao mesmo tempo, revisou a projeção de crescimento do PIB para 2%. Na avaliação de Laís Costa, a autoridade monetária está reagindo de forma mais sensível ao comportamento da atividade econômica do que à inflação. Isso porque, apesar da alta probabilidade de estouro da meta, o BC sinaliza que pode cortar os juros se a atividade continuar fraca.

Galípolo, por sua vez, afirmou que os cenários analisados pelo Copom contemplavam diferentes possibilidades de pausa e retomada dos cortes da Selic, no modelo de stop-and-go. Ou seja, o BC não está comprometido com um ritmo contínuo de redução da taxa básica de juros, podendo interromper o ciclo se as condições macroeconômicas se deteriorarem.

Mercado no direito de pedir, BC no direito de não dar

A relação entre o Banco Central e o mercado financeiro tem sido marcada por tensões em relação à transparência das decisões. Galípolo reconheceu que o mercado está no direito de pedir mais informações sobre o rumo da política monetária, mas o BC vai preservar o direito de não fornecê-las quando considerar que não interessa. “O mercado está no direito de pedir essa informação, e o BC vai preservar o seu direito de não dar essa informação quando ele achar que não interessa”, disse.

Essa postura contrasta com a expectativa de agentes financeiros que esperavam uma sinalização mais clara após a reunião de junho. O diretor, no entanto, defendeu que a comunicação deve ser clara, mas não necessariamente prospectiva. Para ele, o importante é que o comunicado reflita a avaliação corrente do Copom, sem amarrar as mãos para decisões futuras.

Próximos passos: dados definirão rumo

Com a palavra do Banco Central, o mercado terá que aguardar os próximos indicadores econômicos para calibrar as apostas. O IPCA de junho, a ser divulgado em julho, e os dados de atividade econômica serão cruciais para a decisão do Copom em agosto. Enquanto isso, a curva de juros deve continuar volátil, refletindo as incertezas sobre o timing do primeiro corte.

Laís Costa mantém a visão de que o corte virá em agosto, mas reconhece que a comunicação do BC pode surpreender. “O Banco Central está disposto a cortar. Ele quer cortar e vai cortar”, reiterou. Já Galípolo prefere não alimentar expectativas: “A decisão de agosto será baseada nas informações divulgadas ao longo dos próximos 40 dias”. O mercado, por ora, segue na expectativa, mas com a ressalva de que pode dar com a cara na porta.

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