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Corte no orçamento do Banco Central dobra média do governo

Corte no orçamento do Banco Central dobra média do governo

Crédito: valor.globo.com

O Banco Central (BC) sofreu um corte orçamentário que representa o dobro das perdas médias do resto do governo. A redução atinge as despesas discricionárias da instituição, que terá um orçamento de R$ 398,5 milhões, ante os R$ 490,9 milhões previstos anteriormente. O corte ocorre em um contexto de críticas de setores do governo à atuação do BC na política monetária.

Corte acima da média

O orçamento do Banco Central para despesas discricionárias foi reduzido em R$ 92,4 milhões, uma queda de 18,8% em relação ao valor original. Esse percentual é o dobro da média de cortes aplicados aos demais órgãos do governo federal. A fonte não detalhou os critérios utilizados para definir os cortes, mas a diferença chama a atenção.

Uma das despesas discricionárias mais representativas é o custeio e os investimentos na área de informática. A redução pode comprometer a manutenção de sistemas críticos para a operação do BC, como os que processam transações financeiras e monitoram a inflação. A instituição não se pronunciou oficialmente sobre o impacto do corte.

Contexto de críticas ao BC

O corte no orçamento ocorre em um contexto de críticas de setores do governo à atuação do BC na política monetária. O BC adotou uma atitude mais cautelosa nos cortes de juros desde a aceleração inflacionária desencadeada pela guerra no Oriente Médio. Essa postura tem gerado insatisfação em alas do governo que defendem uma redução mais agressiva da taxa Selic.

O presidente do BC, Gabriel Galípolo, tem sido cobrado por lideranças políticas por não entrar no jogo eleitoral envolvendo o Banco Master. Em depoimento no Senado em maio, Gabriel Galípolo disse que não faria palanque com o caso. A declaração reforçou a posição de independência do BC, mas não amenizou as pressões políticas.

Autonomia financeira em debate

O Senado analisa um projeto que concede autonomia administrativa e financeira ao Banco Central. O projeto estava pronto para ser votado na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, mas a análise foi adiada porque o governo quer fazer novas modificações. A proposta visa dar ao BC maior independência na gestão de seu orçamento, o que poderia evitar cortes como o atual.

O Ministério da Fazenda disse que não cabe a ele se pronunciar sobre uma decisão tomada pela Junta Orçamentária. No entanto, o Ministério da Fazenda tem assento na Junta Orçamentária, o que levanta questionamentos sobre seu papel na aprovação do corte. A pasta não detalhou se apoiou ou se opôs à redução.

O corte orçamentário no BC ocorre em um momento de tensão entre a instituição e o governo, com impactos potenciais sobre a capacidade operacional do banco. A tramitação do projeto de autonomia financeira pode ser uma resposta a esse cenário, mas ainda depende de negociações no Congresso.

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