A temporada de resultados referente ao segundo trimestre de 2026 reserva um cenário de contrastes para as empresas que compõem o Ibovespa. Excluindo-se os setores de commodities e energia, as projeções consolidadas pelo Bank of America (BofA) indicam:
- Crescimento de 11% na receita na comparação anual
- Avanço de 15% no Ebitda
- Aumento de 12% no lucro
Além disso, esses números superam, em receita e lucro, os observados no primeiro trimestre (quando os avanços foram de 9%, 17% e 8%, respectivamente). Porém, a média esconde forte dispersão: enquanto algumas empresas surfam nos ventos favoráveis do câmbio e dos juros, outras são penalizadas pela persistente fragilidade do consumo doméstico.
Combustíveis em disparada com petróleo em alta
A principal força motriz para o setor de distribuição de combustíveis vem do mercado internacional de petróleo. Além disso, entre abril e junho de 2026, o preço do barril saltou 25%, movimento que se reflete diretamente nas projeções. O BofA estima que o Ebitda do setor disparará 116% e o lucro terá crescimento ainda mais expressivo, de 133%, ambos na comparação anual. Consequentemente, esse desempenho é atribuído ao repasse do custo mais alto aos consumidores e à consequente melhora nas margens operacionais.
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Energia elétrica: Copel brilha, mas curtailment ameaça
Copel lidera com crescimento de volume
Os holofotes do setor elétrico se voltam para a Copel (CPLE3). Ademais, segundo os analistas do BofA, a companhia deve reportar um crescimento de 7% no volume faturado em relação ao mesmo período do ano anterior.
Pressão sobre renováveis
Contudo, outras elétricas não compartilham da mesma sorte. Auren (AURE3) e Engie (EGIE3) estão sob pressão devido ao curtailment – cortes forçados na geração de energia renovável. Além disso, o problema se intensificou com a queda de 33% no preço spot da energia na comparação trimestral. Essa dualidade expõe como o setor elétrico brasileiro caminha entre oportunidades e desafios regulatórios.
Tecnologia e finanças: duas faces da mesma moeda
Totvs impulsionada pela digitalização
O BofA projeta que a Totvs (TOTS3) verá sua receita líquida anual crescer 35%, impulsionada por um portfólio diversificado e pela digitalização acelerada das empresas.
Mercado de capitais em alta
As companhias que dependem do mercado de capitais devem exibir balanços robustos, beneficiando-se da volatilidade e dos juros altos.
Bancos pressionados por provisões
No entanto, a situação é bem diferente para bancos tradicionais e empresas de pagamento. Além disso, o banco americano alerta que essas instituições estão sendo pressionadas por provisões mais elevadas, reflexo de um ambiente de crédito mais restritivo. Enquanto a finança de mercado comemora, a finança de crédito se prepara para momentos difíceis.
O calcanhar de Aquiles: varejo e consumo
O consumo doméstico continua sendo, na avaliação do Bank of America, o elo mais frágil da economia brasileira. E os números do segundo trimestre devem reforçar esse diagnóstico.
Varejistas no vermelho
Uma lista extensa de varejistas deve permanecer no prejuízo, pressionados por despesas financeiras elevadas. Por exemplo, entre os nomes citados pelo BofA estão:
- Natura (NATU3)
- Azzas (AZZA3)
- Vivara (VIVA3)
- Casas Bahia (BHIA3)
- Pão de Açúcar (PCAR3)
- Magazine Luiza (MGLU3)
Além disso, fora do varejo de vestuário e eletrodomésticos, a M. Dias Branco (MDIA3) também deve apresentar números fracos.
Shoppings enfraquecidos
O segmento de shoppings centers não escapa da cautela. Apesar de as vendas nas lojas crescerem de forma moderada, a receita de locação tende a continuar enfraquecida. Além disso, o principal obstáculo é o IGP, índice que corrige os contratos de aluguel, que está negativo no acumulado de 12 meses. Consequentemente, essa deflação nos indexadores corrói os reajustes e pressiona os resultados dos administradores de imóveis comerciais. O cenário, portanto, é de aperto para todo o ecossistema de consumo.
Exportação e câmbio: os refúgios do investidor
Na contramão do cenário doméstico desafiador, os setores voltados para a exportação e beneficiados pelo câmbio seguem entregando números fortes. Além disso, o BofA foi sucinto ao apontar que empresas ligadas a moeda estrangeira, commodities e juros altos mantêm projeções positivas. Embora o relatório não especifique todas as empresas que surfam nessa onda, a mensagem é clara: enquanto houver demanda global aquecida e um real desvalorizado, esses setores tendem a prosperar. Todavia, esse dinamismo contrasta com a atonia do mercado interno, reafirmando a visão do banco de que o consumo doméstico é o “elo fraco” da economia brasileira. O 2T26 deve, assim, consagrar a divisão entre campeões exportadores e perdedores focados no varejo local.
Em resumo, o mapa dos lucros no segundo trimestre de 2026 desenha um Ibovespa de duas velocidades. De um lado, petróleo, tecnologia e exportação puxam os resultados para cima; de outro, varejo e consumo aprofundam as perdas. Portanto, para os investidores, a orientação que emerge das projeções do BofA é simples: focar nos campeões setoriais e se distanciar dos micos que podem sangrar os portfólios.
Fonte
- www.seudinheiro.com
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