Colapsos e desmaios em quadra
O tcheco Jakub Mensik desabou após vencer uma partida de cinco sets. Ele afirmou: ‘Meu corpo simplesmente desligou’. Uma boleira também precisou deixar a quadra após quase desmaiar durante uma partida. Atletas e torcedores já enfrentam sinais claros de desgaste físico.
O verdadeiro risco: bulbo úmido
Especialistas apontam que o indicador ‘wet bulb globe temperature’ (temperatura de globo de bulbo úmido) é mais eficiente para avaliar riscos reais à saúde. A pesquisadora Rachel Cottle, do Texas Health Presbyterian Hospital Dallas, explicou: ‘Precisamos considerar todas as variáveis ambientais que aumentam o risco de doenças relacionadas ao calor’. Esse índice combina calor, umidade, radiação solar e vento para medir o estresse térmico no corpo humano.
Limites fisiológicos do corpo
Cottle cita estudos que mostram que até jovens saudáveis começam a apresentar dificuldades quando a temperatura de bulbo úmido se aproxima de 31°C. A partir desse ponto, o suor deixa de evaporar de maneira eficiente, reduzindo drasticamente a capacidade de resfriamento do corpo. A pesquisadora Kat Fisher, especialista em saúde e desempenho térmico, disse: ‘Mesmo atletas possuem limites’. Segundo ela, sombra, gelo e pausas ajudam, mas não eliminam o risco quando a exposição ao calor é prolongada.
Impacto no desempenho dos atletas
Jogadoras como Iga Swiatek relataram que o calor deixou os jogos mais rápidos e imprevisíveis. Ela comentou: ‘A bola está voando’, explicando que o saibro perdeu parte da lentidão típica do torneio francês. Roland Garros: colapsos em quadra e jogos sob mais de 30°C reacendem o debate sobre segurança térmica.
Medidas da organização
A Federação Francesa de Tênis monitora a temperatura de globo de bulbo úmido e tem planos para pausas extras ou suspensão das partidas, mas os limites oficiais ainda não foram atingidos. Uma pesquisa publicada em 2017 na Agu Publications indicou que os níveis atuais de calor observados no hemisfério norte devem se tornar comuns nas próximas décadas.

