A Braskem (BRKM5) apresentou mais um balanço trimestral que desapontou o mercado, com suas ações registrando queda na bolsa de valores. A petroquímica atribui o fraco desempenho ao ciclo de baixa da indústria, que mantém preços e spreads sob pressão.
Analistas de grandes instituições financeiras, como BTG e BB, apontam para outros fatores estruturais como a verdadeira raiz dos problemas.
Cenário operacional: produção ajustada e foco em valor
Apesar do resultado decepcionante, a Braskem registrou uma leve melhoria em sua operação. Para se adequar à demanda do mercado, a companhia reduziu a produção em quase todas as suas unidades ao redor do mundo.
Taxa de utilização das fábricas
Em locais como Brasil, Estados Unidos e Europa, a taxa de utilização das fábricas apresentou queda. A exceção foi o México, onde o indicador teve alta.
Paralelamente, a empresa focou suas vendas em produtos com maior valor agregado, uma estratégia para tentar melhorar as margens em um ambiente desafiador. Essa movimentação, no entanto, não foi suficiente para reverter o quadro geral.
Pressão nos números financeiros: queda no Ebtida e dívida crescente
Os indicadores financeiros do período refletem as dificuldades. O Ebtida recorrente, uma medida da geração operacional de caixa, foi de US$ 109 milhões no trimestre, o que representa uma queda de 27% na comparação.
No acumulado do ano, a queda foi ainda mais acentuada, chegando a 49%, com o Ebtida totalizando US$ 557 milhões. Além disso, as dívidas da empresa continuam em trajetória de crescimento, um ponto que preocupa analistas.
A situação é agravada por um contínuo ciclo de baixa na indústria petroquímica, que, segundo a própria Braskem, explica parte dos resultados ao manter preços e spreads pressionados.
Queima de caixa: o problema estrutural destacado por analistas
Um dos pontos mais críticos destacado por analistas é a significativa queima de caixa, que pesou diretamente no balanço da companhia. No último trimestre, esse valor totalizou R$ 1,1 bilhão.
Acumulado anual e comparação
No acumulado do ano, a petroquímica queimou R$ 7,3 bilhões, um montante que representa um aumento de 116% em relação ao mesmo período do ano anterior.
Esse fluxo de caixa negativo persistente é visto por instituições como BTG e BB como um problema maior do que a pressão momentânea nos spreads, pois afeta diretamente a saúde financeira e a capacidade de investimento da empresa a longo prazo.
Legado do desastre ambiental de Maceió: impacto no caixa
A Braskem ainda carrega os custos financeiros relacionados ao desastre ambiental ocorrido em Maceió. A empresa mantinha uma provisão de R$ 18 bilhões para cobrir gastos envolvendo o caso.
Desse total, R$ 13,9 bilhões já foram utilizados, conforme os dados mais recentes. Esses desembolsos impactam o caixa e contribuem para o cenário financeiro apertado, embora a fonte não detalhe a parcela específica desse valor na queima de caixa reportada.
Perspectivas: fator externo e ciclo do setor
Em meio a esse cenário complexo, um fator externo pode trazer algum alívio. Com o conflito no Oriente Médio, a companhia pode ver uma melhora em suas margens, possivelmente devido a alterações nos preços de commodities ou na dinâmica de mercado.
No entanto, essa é uma variável de curto prazo e incerta. A indústria petroquímica, de forma mais ampla, reconhece que o ciclo ainda está complicado para o setor, o que justifica parte dos resultados apresentados.
A questão central, portanto, permanece: enquanto a Braskem foca na explicação dos spreads, o mercado avalia com preocupação os indicadores de endividamento e a erosão do caixa.

