O Brasil manteve, em 2025, um desempenho preocupante no principal indicador internacional que mede a percepção de corrupção no setor público. O país repetiu a segunda pior nota da sua série histórica, ocupando uma posição distante das nações mais bem avaliadas e próximo do grupo com os piores resultados. Os dados, divulgados anualmente, revelam uma estagnação que persiste há quase uma década, sem sinais de melhora significativa.
Índice de Percepção da Corrupção 2025: Resultados do Brasil
No Índice de Percepção da Corrupção (IPC) de 2025, o Brasil marcou 35 pontos em uma escala que vai de 0 a 100. Essa pontuação colocou o país na 107ª posição entre 182 países e territórios avaliados.
É importante destacar que, neste indicador, quanto menor a nota, maior é a percepção de corrupção. Portanto, a pontuação brasileira sinaliza um cenário desfavorável na comparação internacional.
Variação em relação ao ano anterior
A variação em relação ao ano anterior foi mínima. Em 2024, o Brasil havia registrado 34 pontos, e o aumento de um ponto em 2025 é considerado estatisticamente insignificante pela Transparência Internacional, organização responsável pela publicação do índice.
Essa pequena oscilação confirma a repetição da segunda pior nota da série histórica brasileira no IPC.
O que é o Índice de Percepção da Corrupção (IPC)?
O Índice de Percepção da Corrupção é considerado o principal indicador internacional de corrupção. Publicado anualmente desde 1995, ele oferece uma fotografia da percepção sobre a integridade no setor público ao redor do mundo.
A partir de 2012, com uma mudança de metodologia, o IPC passou a permitir a comparação ano a ano dos resultados dos países, tornando-se uma ferramenta mais precisa para acompanhar tendências.
Metodologia do IPC
O IPC avalia como especialistas e empresários percebem os níveis de corrupção no setor público de cada nação. A metodologia combina dados de diversas fontes especializadas, criando uma pontuação padronizada.
Esse processo garante que as comparações entre países e ao longo do tempo sejam consistentes e confiáveis.
Trajetória do Brasil no ranking de corrupção
A série histórica do IPC mostra que o Brasil já alcançou pontuações melhores no passado. Os melhores resultados foram registrados em 2014, com 43 pontos, seguidos por 2012 com 42 pontos e 2016 com 40 pontos.
Em contraste, as piores pontuações ocorreram em:
- 2024: 34 pontos
- 2018 e 2019: 35 pontos
- 2023: 36 pontos
O resultado de 2025, com 35 pontos, iguala assim as marcas negativas de 2018 e 2019.
Estagnação prolongada
Desde 2015, segundo a Transparência Internacional, o Brasil está estagnado abaixo da média global no IPC. Essa constatação indica que, apesar de oscilações pontuais, o país não conseguiu avançar de forma sustentada na melhoria da percepção sobre sua integridade pública.
A estagnação prolongada sugere desafios estruturais que vão além de mudanças políticas momentâneas.
Cenário internacional da corrupção em 2025
No topo do ranking de 2025, os países com melhor avaliação foram:
- Dinamarca: 89 pontos
- Finlândia: 88 pontos
- Cingapura: 84 pontos
Essas nações demonstram consistentemente altos padrões de transparência e controle da corrupção, servindo como referência internacional. Suas pontuações elevadas contrastam fortemente com a marca brasileira de 35 pontos.
Países com pior avaliação
Na outra extremidade do espectro, os países com pior avaliação em 2025 foram Somália e Sudão do Sul, ambos com apenas 9 pontos.
Embora o Brasil esteja distante desse grupo, sua posição na 107ª colocação entre 182 avaliados o coloca na parte inferior da tabela, mais próximo dos piores resultados do que dos melhores. Essa posição reflete os persistentes desafios na percepção da integridade pública nacional.
Significado da estagnação brasileira na percepção de corrupção
A repetição da segunda pior nota da série histórica em 2025, somada à estagnação abaixo da média global desde 2015, aponta para um problema crônico. A pequena variação estatisticamente insignificante entre 2024 e 2025 reforça que não houve avanço mensurável no período mais recente.
Essa constância negativa sugere que as medidas adotadas não têm sido suficientes para alterar a percepção sobre a corrupção no país.
Reflexo na confiança institucional
O IPC, como indicador de percepção, reflete não apenas eventos isolados, mas a confiança geral nas instituições públicas. A persistência de baixas pontuações indica que essa confiança permanece abalada.
A falta de progresso sustentado ao longo de quase uma década representa um alerta sobre a necessidade de abordagens mais efetivas e duradouras. O caminho para melhorar essa percepção exigirá tempo e ações consistentes.

