A inteligência artificial (IA) no Brasil deixa para trás a fase de promessas e encantamento com conteúdo gerado para entrar em um ciclo mais profundo e estrutural. Segundo Rodrigo Bessa, country manager da Salesforce no país, o mercado inicia a terceira grande onda da tecnologia: a era agêntica.
Nesta nova etapa, os sistemas passam de meros assistentes para agentes capazes de agir dentro de regras definidas, conectados a dados e integrados ao fluxo real de trabalho das empresas.
O que é a IA agêntica: da assistência à ação
A terceira fase da evolução da inteligência artificial é o que se chama de IA agêntica. Bessa explica que, enquanto a etapa anterior ajudava a responder perguntas e produzir conteúdo, a nova fase executa tarefas de forma autônoma.
A tecnologia deixa de ser assistente e passa a ser agente — capaz de agir dentro de regras definidas, conectada a dados e integrada ao fluxo real de trabalho das empresas.
Transição para automação avançada
Na prática, você sai do papel de assistência para a tomada de ação, criando uma força de trabalho 24/7 pela integração dos agentes com os humanos. Essa transição representa um salto na automação de processos corporativos.
Conceito ganha destaque global no Dreamforce 2025
O conceito de IA agêntica ganhou destaque global no Dreamforce 2025, realizado em San Francisco. No evento, a Salesforce apresentou a ideia de Agentic Enterprise: empresas estruturadas em torno de agentes autônomos que aprendem, decidem e executam tarefas.
Essa visão coloca os sistemas inteligentes no centro das operações, permitindo que eles atuem de forma mais independente e estratégica. A proposta marca uma evolução significativa na forma como as organizações podem utilizar a tecnologia para otimizar seus negócios.
Brasil sai da fase conceitual para implementação prática
No Brasil, o movimento já passou da fase conceitual, segundo destaca Rodrigo Bessa. O país é um dos mercados mais vibrantes para a Salesforce no mundo no que diz respeito ao uso, na prática, da IA agêntica.
Diferentes setores já colocaram agentes autônomos para operar em escala, demonstrando a maturidade do ecossistema local de inovação. Essa adoção acelerada posiciona o Brasil na vanguarda da implementação dessa tecnologia transformadora.
Casos práticos em diversos setores da economia
Empresas brasileiras de diferentes segmentos já implementam soluções de IA agêntica:
- Banco do Brasil: Modernização de atendimento e ganho de eficiência operacional através da implementação de agentes autônomos.
- Globo: Avanço na adoção, especialmente em épocas de grandes demandas, como durante a exibição do Big Brother Brasil ou de campeonatos de futebol.
- Cacau Show: Elevação do nível de personalização no e-commerce com a utilização da tecnologia.
Personalização no varejo
Com os agentes conectados ao histórico de compra e ao CRM, a Cacau Show consegue recomendar produtos com base no perfil individual de cada consumidor.
Implementação rápida e integrada: caso Sem Parar
O Sem Parar implementou a solução em menos de seis semanas, demonstrando a agilidade possível na adoção da IA agêntica. O foco da empresa foi reduzir atritos na jornada digital e melhorar a retenção de clientes.
Os agentes do Sem Parar passaram a atuar de forma autônoma, mas sempre integrados às equipes humanas, criando um modelo colaborativo entre pessoas e máquinas. Essa integração é fundamental para garantir que a tecnologia complemente, e não substitua, o trabalho humano.
Marco na digitalização brasileira
A transição para a era agêntica da inteligência artificial representa um marco na digitalização das empresas brasileiras. Com casos concretos em setores estratégicos, o país demonstra capacidade de implementar soluções avançadas que vão além da automação básica.
A integração entre agentes autônomos e equipes humanas promete redefinir processos e criar novas oportunidades de eficiência em escala nacional.

