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Banco Master tinha só 10% do caixa para pagar CDBs, diz Galípolo

Banco Master tinha só 10% do caixa para pagar CDBs, diz Galípolo

Crédito: valor.globo.com

O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, revelou nesta quarta-feira (8) que o Banco Master foi liquidado em novembro de 2025 com recursos em caixa suficientes para cobrir apenas 10% do montante devido em Certificados de Depósito Bancário (CDBs). O depoimento ocorreu na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado no Senado, onde Galípolo detalhou o processo que levou ao fim da instituição financeira.

Segundo ele, a decisão foi a menos custosa para o sistema, seguindo a legislação que exige o esgotamento de alternativas de mercado antes da liquidação.

O início da crise no Banco Master

A situação do Banco Master começou a se deteriorar ao longo de 2025, com a instituição apresentando um encolhimento progressivo de suas operações.

Em abril daquele ano, o banco não realizou o recolhimento compulsório, uma obrigação regulatória que marca o primeiro sinal público de problemas de liquidez. Como resposta, o Banco Central abriu um processo sancionador contra a instituição, iniciando uma investigação formal sobre suas práticas.

Nesse mesmo período, surgiu uma proposta de aquisição do Banco Master pelo BRB, um banco público, que poderia ter sido uma solução de mercado para a crise.

A investigação das carteiras de crédito

Nova fase nas apurações

Em março de 2025, o diretor de fiscalização Ailton Aquino assumiu a presidência do Banco Central, trazendo uma nova fase nas apurações.

Aquino afirmou que estava conduzindo a investigação das carteiras de crédito do Banco Master, com foco em verificar se os empréstimos registrados nos balanços realmente ocorreram. Essa investigação, conforme explicado, significava encontrar evidências concretas de que as operações de crédito eram legítimas.

Pressão regulatória

Paralelamente, o BC iniciou um processo sancionador tendo como alvo específico o Banco Master, aumentando a pressão regulatória sobre a instituição.

A negação da compra pelo BRB

A proposta de aquisição pelo BRB, no entanto, foi negada pelo Banco Central em setembro de 2025, fechando uma das principais alternativas para salvar o Master.

Com essa porta fechada, o que extrapolava o valor do passivo da instituição começou a consumir seu caixa de forma acelerada. Para tentar gerar liquidez, o banco passou a vender ativos de seu balanço, especificamente carteiras novas de crédito.

Essas vendas, contudo, não foram suficientes para reverter o quadro de insolvência que se aprofundava mês a mês.

O papel do Fundo Garantidor de Créditos

Intervenção do FGC

Durante esse processo, o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) já pagava parte do passivo do Banco Master, em uma tentativa de conter os prejuízos aos investidores.

Galípolo explicou na CPI que essa foi uma decisão correta do FGC, pois evitou um cenário ainda mais grave. Se o Master quebrasse sem essa intervenção, o fundo teria que pagar todo o estoque de CDBs, o que representaria um desembolso de R$ 5 bilhões por mês.

Limites da garantia

Dessa forma, a atuação do FGC serviu como um amortecedor temporário, mas não resolveu a crise estrutural do banco.

A verificação final e a liquidação

Diagnóstico do Banco Central

O Banco Central, ao analisar a situação, verificou que o Banco Master tinha em caixa apenas 10% do montante necessário para pagar os CDBs aos investidores.

Esse diagnóstico, somado à incapacidade de cumprir obrigações como o recolhimento compulsório, levou à decretação da liquidação em novembro de 2025.

Alternativa menos custosa

Galípolo reforçou que a liquidação foi a alternativa menos custosa para o sistema financeiro como um todo, seguindo a lei que demanda o esgotamento de opções de mercado antes de uma medida tão drástica.

O processo marcou o fim de uma instituição que não conseguiu superar seus problemas de gestão e liquidez.

As lições deixadas pelo caso

O depoimento de Galípolo na CPI do Crime Organizado trouxe à tona os detalhes de um dos maiores processos de liquidação bancária recentes no país.

A sequência de eventos – desde a falha no recolhimento compulsório até a venda de carteiras e a negação da aquisição – ilustra como uma crise de confiança pode levar ao colapso de uma instituição financeira.

A atuação do FGC, embora necessária, também mostrou os limites dos mecanismos de garantia quando os problemas são profundos. Por fim, o caso reforça a importância da supervisão regulatória para identificar sinais de risco antes que se tornem irreversíveis.

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