O ativista brasileiro Thiago Ávila e o espanhol-palestino Saif Abu Keshek serão interrogados em Israel neste sábado, 2. Eles foram interceptados na última quinta-feira enquanto participavam da flotilha Global Sumud, que seguia rumo à Faixa de Gaza. A informação foi confirmada pela chancelaria israelense, que afirmou que ambos já estão em Israel para o interrogatório.
Interceptação da flotilha
Forças israelenses interceptaram mais de 20 embarcações na quinta-feira, com cerca de 175 ativistas de diferentes nacionalidades a bordo. Os organizadores da flotilha, no entanto, afirmam que 211 pessoas foram “sequestradas”. A Global Sumud era formada por mais de 50 embarcações que partiram de portos da Itália, França e Espanha com destino a Gaza. O objetivo era romper o bloqueio israelense e levar ajuda humanitária à região, devastada por quase dois anos de guerra entre Israel e o Hamas, iniciada em 7 de outubro de 2023.
Acusações de vínculos com o Hamas
As autoridades israelenses acusam Thiago Ávila e Saif Abu Keshek de ter vínculos com a Conferência Popular para os Palestinos no Exterior (PCPA). Estados Unidos e Israel apontam a PCPA como ligada ao Hamas. Segundo o governo israelense, Abu Keshek é “um membro de destaque” da PCPA, enquanto Ávila “trabalha” com o grupo e é “suspeito de atividades ilegais”. O ministério israelense destacou que a PCPA está sob avaliação dos Estados Unidos.
Protestos de Brasil e Espanha
Na sexta-feira, 1º, Brasil e Espanha manifestaram protesto após a divulgação de que os dois ativistas seriam levados a Israel. A chancelaria israelense informou que ambos confirmaram visitas consulares de representantes de seus respectivos países em Israel. Com exceção do brasileiro e do espanhol-palestino, os demais ativistas foram levados na sexta-feira para a ilha de Creta, na Grécia, de onde seriam repatriados.
Antecedentes do ativista brasileiro
Thiago Ávila já havia participado anteriormente de outra flotilha que chegou a Havana, no fim de março, em protesto contra o bloqueio energético imposto por Donald Trump a Cuba. Além disso, ele esteve a bordo de uma flotilha anterior interceptada por Israel, na qual também estavam a ambientalista sueca Greta Thunberg e a ex-prefeita de Barcelona Ada Colau. Na ocasião, o Departamento do Tesouro dos Estados Unidos informou, em janeiro, que a PCPA estaria por trás daquela flotilha, que tentou romper o bloqueio naval imposto por Israel à Faixa de Gaza em outubro. Segundo o governo americano, a PCPA atua para que o Hamas “expanda clandestinamente sua influência política” por meio de grupos ligados à diáspora palestina.
Fonte
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