A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) acionou o freio de emergência e decretou a interdição total da Refit — antiga Refinaria de Manguinhos, localizada no Rio de Janeiro.
A medida drástica foi tomada após uma vistoria técnica detectar um risco de incêndio considerado grave e iminente, que colocava em perigo a operação da unidade.
A refinaria, que já vinha operando sob restrições desde outubro passado, agora enfrenta uma paralisação completa de suas atividades.
Falhas críticas nas barreiras de segurança
No relatório da inspeção realizada em 14 de janeiro, foram apontadas pelo menos seis falhas críticas nas barreiras de segurança da refinaria.
O documento alerta que a ausência ou degradação de apenas uma dessas barreiras já seria suficiente para configurar um risco grave iminente (RGI).
Múltiplas falhas substanciais
No caso da Refit, múltiplas falhas substanciais foram encontradas, elevando significativamente o nível de perigo.
A alta probabilidade de acidentes fatais foi mencionada explicitamente no relatório, o que justificou a ação imediata da agência reguladora.
Diante desse cenário, a ANP exigiu a retirada imediata de todo material inflamável para afastar o perigo.
Essa medida emergencial visa reduzir o potencial de um desastre, enquanto a situação de segurança é reavaliada.
A gravidade das falhas encontradas indica que problemas estruturais podem ter se acumulado ao longo do tempo, exigindo uma intervenção profunda.
Paralisia total das operações
A ANP determinou a paralisação completa das operações ligadas à produção de derivados de petróleo.
A paralisação inclui processos internos, movimentação, armazenamento, expedição e carregamento dos produtos.
Impacto na cadeia produtiva
Em outras palavras, toda a cadeia produtiva da refinaria foi interrompida até que as condições de segurança sejam restabelecidas.
A única atividade permitida será a retirada controlada dos combustíveis e inflamáveis já estocados, sob supervisão rigorosa.
Essa interdição total representa um golpe significativo para as operações da empresa, que tem núcleo no Rio de Janeiro e atuação em praticamente todo o território nacional.
A medida reflete a seriedade com que a ANP encara as violações de segurança, especialmente em instalações que manuseiam produtos perigosos.
A paralisação deve impactar a cadeia de abastecimento, embora a fonte não detalhe a extensão desse efeito.
Uma refinaria com história e dimensões
A Refit ocupa aproximadamente 600 mil metros quadrados e abriga um dos maiores parques de armazenagem de líquidos do Brasil.
Sua capacidade ultrapassa os 200 milhões de litros, segundo a fonte.
Trajetória histórica
Sua origem remonta a 1954, quando a Refinaria de Manguinhos surgiu na onda da campanha “O Petróleo é Nosso”, do presidente Getúlio Vargas.
Foi a primeira refinaria privada do Rio de Janeiro, construída em 255 dias, e passou a abastecer a então capital do país.
Em 2005, a Refinaria de Manguinhos paralisou suas operações, foi vendida para o Grupo Andrade Magro, passou por profundas mudanças internas e, em 2010, retomou as atividades.
Mudou de nome para Refit em 2017, em um processo de reestruturação que buscava modernizar suas operações.
Apesar dessa trajetória de transformação, os recentes problemas de segurança levantaram questões sobre a manutenção das instalações.
Próximos passos e implicações
Com a interdição em vigor, a Refit agora precisa corrigir as falhas apontadas pela ANP para solicitar uma reavaliação e possível retomada das operações.
Processo de regularização
O processo pode envolver investimentos significativos em segurança e infraestrutura, além de novas inspeções rigorosas.
Enquanto isso, a retirada controlada dos estoques existentes será monitorada de perto para evitar novos riscos.
Esse caso serve como um alerta para o setor de refino sobre a importância da manutenção preventiva e do cumprimento das normas de segurança.
A ANP tem demonstrado tolerância zero para situações que coloquem em risco vidas e o meio ambiente.
A população do entorno e os trabalhadores da refinaria aguardam, com apreensão, a resolução dessa crise que paralisou uma unidade histórica.

