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Acordo EUA-Irã sobre petróleo impacta ouro e investimentos

Acordo EUA-Irã sobre petróleo impacta ouro e investimentos

Crédito: www.seudinheiro.com

O mercado de petróleo, que desde o início do ano vinha sendo dominado pela geopolítica — primeiro pelas tensões entre EUA e Venezuela, depois pela incerteza sobre um possível entendimento entre Washington e Teerã —, agora reage à confirmação de um Memorando de Entendimento (MoU) entre as duas nações. Com o MoU confirmado, o Citi acredita que o petróleo iraniano deve voltar a circular no mercado de forma relativamente rápida, com normalização prevista entre meados e o final de julho. O ponto central é que o mercado já precificou a existência do memorando, mas ainda não incorporou a possibilidade de um acordo que garanta esse fluxo de petróleo no médio prazo.

Impacto imediato no preço do petróleo

Se isso acontecer, segundo o Citi, o preço do barril poderia cair entre US$ 10 e US$ 15 a menos do que está hoje. Nesta segunda-feira (15), o barril do Brent fechou com queda de 4,40%, a US$ 83,49 o barril. O banco traçou três cenários sobre o acordo entre EUA e Irã: cenário base, com 60% de probabilidade; um cenário mais otimista para o petróleo, com 20% de probabilidade; e um cenário baixista, com 20% de chance.

Cenário base

No cenário base, o MoU é assinado e as negociações evoluem para um fluxo sustentado e normalizado de petróleo iraniano. Com isso, o mercado volta a olhar para os fundamentos fracos do setor: o Citi projeta um excedente de cerca de 4 milhões de barris por dia até 2027, o que pressionaria os preços para baixo de US$ 70 o barril. O banco revisou as projeções de preço para US$ 75 o barril no terceiro trimestre de 2026, US$ 70 no quarto trimestre e US$ 65 em 2027. O Citi pondera que liberações de estoques pela Agência Internacional de Energia (AIE) tendem a limitar qualquer disparada dos preços.

Cenário baixista

No cenário baixista, uma aceleração forte da produção de Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita e Irã, somada a um eventual acordo entre Rússia e Ucrânia, poderia gerar um excedente ainda mais rápido no mercado. A leitura do banco é clara: com pouco apetite dos EUA para um novo conflito e o Irã sinalizando disposição para negociar, a recomendação é vender altas do petróleo no verão (do hemisfério norte).

Vídeo: YouTube | Fonte: www.seudinheiro.com

Ouro e prata em alta

Em contrapartida, o Citi elevou a projeção para o ouro nos próximos três meses de US$ 4.000 para US$ 4.500 por onça, e para a prata de US$ 60 para US$ 70 por onça. Com a redução das tensões geopolíticas, o sentimento de risco melhora de forma mais ampla nos mercados. O banco admite que havia um risco de queda no curto prazo para esses metais, justamente por causa da incerteza com o conflito e seus reflexos nos preços do petróleo. Esse risco diminui com o acordo.

Na visão de prazo mais longo (seis a 12 meses), o Citi segue otimista com o ouro, projetando US$ 5.000 por onça. Nesta segunda-feira (15), o ouro para agosto encerrou em alta de 2,7%, a US$ 4.351,6 por onça-troy, enquanto a prata para julho avançou 3,2%, a US$ 70,18 por onça-troy.

Alumínio: queda inicial, mas oportunidade

O alumínio caiu com a notícia do acordo. A lógica do mercado: menos tensão geopolítica, menos prêmio de risco. Mas o Citi discorda da reação e recomenda comprar na baixa. Segundo o banco, o mercado de alumínio vive um déficit real, e os estoques devem cair de forma acentuada nos próximos três a seis meses. O banco projeta alta de 15% a 20% no preço, saindo dos atuais US$ 3.400 para US$ 4.000 por tonelada.

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